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Olimpia, 01 de Julho, 2018 - 22:55
Um futuro que pode vir a ser trágico para Olímpia ou o início de uma mudança real

“É deveras deprimente para quem reflete e consegue enxergar de forma mais ampla a realidade, perceber que o caos pode estar próximo. Se levanta, esbraveja, tenta de todas as formas mostrar, demonstrar, provar quão grave é a situação. Mas acaba se prostrando diante da própria dúvida: se poucos conseguem vislumbrar tais premissas, como acreditar que não sejam meros devaneios de quem ousa pensar coletivamente?”.

Mestre Baba Zen Aranes.

QUEM ACOMPANHOU ...

... as lucubrações deste jornalista nesta página nas últimas décadas, pode lem­brar de quando aqui se vaticinou que Olímpia poderia se transformar numa cidade dormitório. Ao depois, com a chegada do Ther­mas e o sonho do turismo, o dor­mitório foi su­bstituído pelo “fantasma”.

O QUE ...

... se vislumbrava à época, da mesma forma que hoje, é que, no caso da cidade dormitório, por causa da globalização e um liberalismo nascente, ficaríamos à mercê do desenvolvimento de São José do Rio Preto, como um bair­ro, servindo de dormitório.

COM O TURISMO ...

... e a consequente incapacidade administrativa sempre demonstrada por nossos governantes, o me­do era de se deixar passar batido o “bonde” do turismo.

OU SEJA, ...

... sem planejamento e sem a transformação de Olímpia realmente em uma estância turística, a probabilidade real era a de jogarmos fora mais uma oportunidade de desenvolvimento.

PARA QUEM ...

... não se lembra ou não sabe, Olímpia já teve um dos maiores PIBs – Produto Interno Bruto do Estado, foi um dos maiores produtores de café, teve sua fase industrial, da laranja e por aí vai.

POIS É, ...

... chegamos a um ponto crucial e que mais uma vez a ausência do poder público se faz sentida e pode fazer com que este povo de São João Batista não si­ga o melhor caminho, o do aproveitamento de seu desenvolvimento.

HOJE, ...

... com certeza, o risco não é mais de se transformar em uma cidade fantasma, a exemplo de outra onde este fenômeno já ocorreu, pois, de uma forma ou de outra, o turismo continuará a ser deveras importante, mesmo com o efeito negativo de não ter sido acompanhado pelo poder público nos últimos 20 anos, e pela derrocada econômica que está sendo imposta pelo atual governo federal.

CLARO, ...

... embora a cidade não viva o turismo e grande parte de sua população ache que este não influencia em sua vida, começam a surgir as provas de que é justamente o contrário. Se não fosse o turismo, Olím­pia estaria, como várias outras cidades amargando um empobrecimento ainda maior.

O THERMAS ...

... completou, no último dia 24 de junho, 31 anos do início de sua implantação. De lá para cá se transformou em um dos maiores parques aquáticos do mundo e o terceiro mais visitado do planeta.

SÃO MAIS ...

... de 50 atrações. Portanto, mais de uma por ano, ao longo das últimas três décadas. E, para os próximos anos, iniciando-se neste, com a implantação de um grande complexo de tobo­águas que vai homenagear o folclore brasileiro, o Lendário, deverá expandir sua área de 260 mil metros quadrados de atrações para mais de 300 mil.

O THERMAS, ...

... portanto, além de ter levado nas costas, alavancado a econômica local, diante da incompetência administrativa de seus últimos prefeitos, inclusive os geniais, dá mostras de que continuará, pelo menos nos próximos anos, a cumprir o seu papel de salvador da pátria, agora ajudado pelo Hot Beach e por outros que poderão surgir.

MAS, E OLÍMPIA, ...

... onde esteve todo este tempo? Nem os políticos fizeram para transformar e preparar a cidade para o turismo e nem o comércio e a população parecem estar preparados para esta nova realidade que, cada vez mais, parece ser irrever­sível. Ou vai ou vai.

PORQUE ...

... diante do quadro que se avizinha, de piora vertiginosa do desemprego, via desgoverno Temer e o próprio avanço da tecnologia que já substituiu 90% do trabalho no campo e na indústria e começa a mostrar suas garras até para o comércio, o que restará é o serviço que o turismo pode gerar.

IMAGINEM ...

... os senhores se Olímpia tivesse se transformado realmente numa estância turística? Com equipamentos apropriados, atividades mil para quem vem aqui; calendários de eventos (com pelo menos um a cada dois meses); shows e atividades endereçadas aos visitantes todos os finais de semana; integração dos parques com pesca (em pesque pagues e rios da região), passeios no campo; locais para convenções e grandes eventos corporativos; e um mon­te de atividades que podem ser inclusive inventadas para atrair e fazer com que público fique mais dias na cidade.

JÁ FOI ESCRITO ...

... neste espaço que está acontecendo uma regressão vertiginosa de classes na pirâmide social brasileira. A transformação de pobres em classe média baixa e dos membros da classe média baixa em classe média e assim sucessivamente, além do fim da mi­serabi­li­dade que se viu a menos de seis anos atrás, agora está voltando ao estágio que era vivido há pelo menos 20 anos atrás.

A POBREZA E A ...

... miséria estão regressando com força total. E o turismo local, se não for repensado, reestruturado e reinventado, vai enfrentar grandes problemas.

PRIMEIRO, ...

... que do jeito que está, a via de entrada de 90% dos turistas que por aqui apor­tam é o Thermas dos Laranjais. Até hoje não se criou nenhum atrativo a mais nem para chamar turistas, nem para mantê-los por mais dias na cidade.

E O THERMAS ...

... como teve que trabalhar o chamado “Day use”, ou seja, o turismo de excursão, do visitante que vem para ficar apenas um dia, sozinho, não tem condições de mudar este panorama de uma hora para outra. Aliás, quem terá que fazer isso são os próprios empreendimentos (hoje começam a surgir grandes empreendimentos que abrigam atrativos próprios) e, principalmente o poder público, que tem que ser o gestor de um grande projeto que consiga o enga­ja­men­to da população e a criação de mecanismos que possam cumprir este papel de atrair visitantes e proporcionar atrativos para que permaneçam aqui por mais dias.

TALVEZ ...

... seja este o motivo de tantos olimpienses acharem que o turismo não os ajuda em nada, pois não estão empregados diretamente nas empresas e, com certeza, dos dois milhões que visitam Olímpia anualmente, os que permanecem mais de um dia devem atingir no máximo uns 40%, ou seja, de 600 a 800 mil anuais, o que daria uma média de 11 a 13 mil por semana.

ATUALMENTE, ...

... já ostentando o título de terceira cidade do Estado com mais leitos de hotéis e resorts, aproximadamente 15 mil, e com perspectiva de chegar a 20 mil nos próximos anos, o trabalho tem que ser feito urgentemente, pois os fatores contrários poderão ser fatais. Isso, inclusive, levou Olímpia a ser considerada a segunda melhor cidade do país em termos de desenvolvimento.

ORA, ...

... a maioria dos turistas que chegam a Olímpia atualmente pertencem às clas­ses média e média baixa que estão se esfacelando devido à nova estratégia econômica que não está nem aí com a distribuição de renda, mas sim, com o atendimento das fictícias exigências de um Deus Mer­cado que vive de previsões de pessoas que não têm o poder de prever o futuro, mas o fazem cons­tantemente e determinam os acontecimentos econômicos.

PORTANTO, ...

... para que o turismo se solidifique e continue a ser a mola propulsora da economia local e regional, terá realmente que passar por um processo de re­es­tru­turação urgente, tendo em mente que será preciso mudar o “target”, o público alvo e criar a­tra­tivos para atrair turistas que fiquem e utilizem a estrutura hoteleira em crescimento e, ficando, possam consumir no mer­cado local, garantindo a geração de emprego.

VOCÊ PODERIA ...

... estar se perguntando neste momento. Se é tão fácil assim, porque ninguém o fez? Elementar meu caro Watson. Nem todo mundo enxerga da forma que este colunista, que já passou tudo isso várias vezes para todos vocês e para quem pode ajudar a reinventar esta cidade que, de todas as formas, todos nós temos interesse. Alguns mais volumosos do que os outros. Mas quem vive aqui, vive daqui, por­tanto, mãos à obra.

 

José Salamargo – nunca, na história desta cidade, este colu­nis­ta esteve tão convicto de suas lucubrações e, em razão disso, nunca ficou com tanto pavor de presenciar mais um jegue passar arriado e a gente não conseguir montá-lo e ver mais um bonde da história passando sem poder fazer nada. Quem viver e sobreviver, verá.


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