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Olimpia, 11 de Fevereiro, 2018 - 22:02
Olimpiense Dedé Buzatto está entre líderes de seita religiosa presos pela Polícia Federal

DA REDAÇÃO COM EPTV

O olimpiense, José Donizete Buzatto, o Dedé Buzatto, um dos fundadores da Comunidade Evangélica Jesus, A Verdade que Marca, está entre os 13 líderes da seita que foram presos na terça-feira, 06, em cidades de Minas Gerais, São Paulo e sul da Bahia, acusados de manter fiéis em situação análoga à escravidão em propriedades rurais e empresas em Minas Gerais e Bahia, e ainda se apoderar de todos os bens das vítimas. Com esta terceira fase da operação, os investigados podem cumprir até 42 anos de prisão, em caso de condenação.


Os representantes da seita foram presos em Minas Gerais, Bahia e São Paulo, sendo oito apenas no Sul de Minas. Nove pessoas, na sexta-feira, ainda estavam foragidas, entre elas “Pastor Cícero”, considerado o líder do grupo. Ele, junto com o olimpiense e outros líderes da comunidade já havia sido preso em 2015. Dezessete estabelecimentos foram pré-interditados. A Operação “Canaã – A Colheita Final” aconteceu com apoio do Ministério do Trabalho e também cumpre 42 mandados de busca e apreensão.

A Polícia Federal não divulgou os nomes dos que foram presos na operação, mas a filial da TV Globo de Varginha, em Minas Gerais, conseguiu filmar os oito detidos na região e à frente deles, nas imagens, aparece o olimpiense Dedé Buzatto (veja fotos nesta página).

Entre os alvos da operação estão investigados em pelo menos quatro cidades do Sul de Minas – Poços de Caldas, Pouso Alegre, Minduri e São Vicente de Minas. Em Poços de Caldas, o restaurante “Poços Grill” foi interditado pela Polícia Federal durante a manhã da terça-feira, 06. A gerente do estabelecimento foi presa no local. Ela seria a responsável pela seita na cidade. Além dela, foram presas duas pessoas em Pouso Alegre, Três em São Vicente de Minas e duas em Minduri.

Em Pouso Alegre foram interditados os restaurantes “Circuito das Águas” e “Café Bombom”. Todos esses estabelecimentos seriam comandados pela seita religiosa. Conforme as investigações, os funcionários desses estabelecimentos eram fiéis que não recebiam pelo trabalho.

Segundo as investigações da Polícia Federal, mesmo após duas outras operações realizadas em 2013 e 2015, os líderes da seita continuaram a cometer crimes de exploração. A seita estaria em plena expansão, com novas fazendas sendo adquiridas em vários estados. A promessa do grupo, conforme a PF, é que a “besta” estaria vindo e dentro das comunidades todos estariam protegidos no dia do apocalipse. Em 2016, 43 pessoas ligadas à seita foram indiciadas pela Polícia Federal por crimes como lavagem de dinheiro e trabalho escravo.

Na operação anterior alguns líderes da seita chegaram a ficar presos por alguns dias. Desta vez, a policia federal espera que fiquem presos até o julgamento final das ações na justiça.

Os trabalhos também acontecem nas cidades de Contagem, Betim, Madre de Deus e Andrelândia (MG), além do Estado da Bahia, em Ibotirama, Luiz Eduardo Magalhães, Wanderley e Barra e São Paulo (SP).

Além de manter trabalhadores em condições de escravos, os líderes da seita religiosa são investigados por tráfico de pessoas, estelionato, organização criminosa, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

Os líderes teriam aliciado pessoas na sede de uma igreja em São Paulo (SP). As vítimas foram induzidas a doarem todos os bens para a organização criminosa. Depois de trabalhos psicológicos e de doutrina, as pessoas eram levadas para centros de convivência em zonas rurais e urbanas de Minas Gerais, Bahia e São Paulo.

Nos locais eram submetidos a trabalhos em estabelecimentos comerciais e lavouras sem remuneração. Com o trabalho escravo e a apropriação de bens das vítimas, os líderes viviam de patrimônios luxuosos e altos faturamentos.

As investigações apontaram que o grupo também conseguiu expandir investimentos para o Estado do Tocantins com exploração ilegal.

Com a terceira fase da operação na terça-feira, os investigados podem cumprir até 42 anos de prisão, em caso de condenação. Segundo a polícia, a operação é uma referência bíblica à terra prometida.

O EPTV, filiada da rede Globo de Televisão, tentou contato com os advogados da seita religiosa, mas até a publicação desta reportagem, ainda não havia conseguido.

 


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