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Olimpia, 02 de Maio, 2020 - 15:19
Morre o homem e nem sua obra permanece viva por muito tempo

“A vida corre a uma velocidade incontrolável. E a gente sabe que está vivendo pelas imagens que registra através dos sentidos. Imagens em movimento que vão rapidamente ficando no passado e sendo enterradas pelo presente que já foi futuro e rapidamente também deixou de existir”.

Mestre Baba Zen Aranes.   

QUANDO A GENTE ...

... está na adolescência – pelo pouco que lembro da minha – o tempo parece que nunca vai passar. Queremos crescer rápido, ser grandes, ser adultos, buscar o desconhecido, viver a vida. Mas quando se cruza a barreira de algumas décadas de existência, a situação se inverte.

PERCEBEMOS ...

... que o tempo não para. Nos embrenhamos numa roda viva sem fim, lutando pela mera sobrevivência e sendo enganados com a perspectiva de que seremos agraciados com os momentos de prazer que nos promete a nossa ideologia moral, e quando percebemos já chegou a hora da partida e aí nos tornamos, às vezes, parte da história, ou, então, mera fotografia que vai ficando dis­tor­cida, envelhecida, amarelada, com o dia após dia, até desaparecer da memória daqueles com quem convivemos, amamos e achávamos que éramos amados.

POR REFLEXÃO, ...

... a narrativa que fica é a de que o que acaba ficando em nossas mentes é um mero flash daqueles que conseguiram desenvolver suas virtudes, suas artes e conseguiram construir uma história que teria que ficar marcada por longo tempo. Pois até estes também acabam sendo esquecidos e fazendo parte de compêndios virtuais, registros históricos (antigamente livros).

ESTE TAL DE TEMPO ...

... que nem Santo Agostinho conseguiu decifrar ao certo, é destruidor da vida e, o que é pior, não deixa restar nem um pequeno filme, uma presença mar­cante daqueles que se vão, mesmo os mais notáveis. O tal do passado, passado que é, deixa de existir nos átimos de segundos do tempo presente e passa a precisar ser lembrado, rememorado; como no computador, passa a ser apenas um dado a mais para ser pesquisado no Google dos nossos cérebros.

QUANTO MAIOR ...

... for o número ou a importância dos feitos, das virtudes desenvolvidas, mais elevado será o sentimento de perda, e com ele, a necessidade de que alguma coisa seja feita para que, justamente, este ser e seus atos nobres, sejam lembrados mais facilmente; rememorados mais rapidamente, sem ter que dizer “Ok! Google!” para que sejam acionados os mecanismos de busca de nosso cérebro.

MAS, UM DIA ...

... estes feitos também podem perder o significado. Outros podem ser colocados no seu lugar. Aí entra a discussão sobre quem é mais notável. E, claro, os mais antigos que sequer compõem os dados imediatos de nossa imaginação, por questão de tempora­lidade, perdem a importância para os que surgem e estão mais reavivados em nossas consciências.

EM NOSSA CIDADE ...

... é fácil verificar este fenômeno. Quem sabe quem foi Waldemar Lopes Ferraz e porque ganhou o nome de uma das principais avenidas da cidade? Quem foi Custódio Ribeiro de Carvalho que hoje empresta seu nome a UBSF do distrito de Ribeiro dos Santos? Quem foi David de Oliveira que também dá o nome a uma das principais vias do município? Isso só pra citar alguns exemplos.

SE FIZERMOS UMA ...

... busca no “Google” de nossos cérebros, poucos serão aqueles que terão suas obras como resultado, ou o porque de sua notabilidade em uma sociedade conservadora e que viveu por longas décadas sob o jugo de verdadeiros coronéis.

SE A PESQUISA FOR ...

... na internet mesmo, o que surge como resposta não são as suas obras, mas apenas o que passaram a ser. A denominação de ruas ou locais públicos, ou até nomes de clínicas e postos de gasolina, por exemplo.

MAS AI JÁ NÃO ...

... é a imagem do ser que já se foi que vem à nossa mente, nem qual foi a sua obra que, em tese, motivou a utilização de seu nome. E ninguém fica rememorando ou pes­quisando para saber. Entra em cena apenas a fotografia daquilo que passou a representar; nos casos citados, uma avenida, uma rua, um postinho de Saúde. Não é a imagem do ser, nem amarelada pelo tempo, ou desfocada pela falta de memória.

E É SIMPLES, ...

... a constatação sociológica. Quantos por cento da população sabe quem foram os “homenageados”? Eis a questão. Até na mente dos parentes e dos mais chegados o que resta são imagens distor­cidas e en­velhecidas. Eis o que somos, não importa o que vivemos.

CLARO, ...

... toda esta reflexão se dá pelo falecimento de um amigo muito querido, um irmão que se foi e as discussões acaloradas que estão se dando na redes sociais sobre homenageá-lo com o nome da Rua Síria.

O VEREADOR ...

... Antônio Delo­mo­darme, o Niquinha, foi quem propôs a homenagem ao médico Nilton Roberto Martines para que este empreste o seu nome à Rua Síria.

EM SUA PÁGINA, ...

... no Facebook, foram milhares de comentários, a maioria a favor; mas também tiveram os que são contrários. Alguns sugeriram o nome dele para a Santa Casa de Olímpia. Outros para ruas e hospitais que surgirem. Mas, como sempre, também vários posicionamentos dos membros do gabinete do ódio, detonando tudo o que não favorece o seu chefe, o mimado 01, não importando a família que sofre a perda, nem se vai arranhar a imagem ainda presente de um dos maiores e melhores cirurgiões do Estado de São Paulo e que dedicou sua vida a salvar a de olimpienses e de moradores da microrregião.

SINCERAMENTE, ...

... após a reflexão sobre o tema, esse colunista não consegue elaborar uma opinião, muito menos um julgamento sobre o assunto. Mas acaba surgindo mais um questionamento: que homenagem é esta que apenas agrega o nome da pessoa a alguma coisa, mas não consegue nem fazer com que seja relem­brada a sua obra e nem mesmo que se reavive a sua imagem nas mentes das pessoas?

AS HOMENAGENS ...

... teriam que ser feitas em vida. Mas, ele morreu sem ver seus sonhos atuais que era o setor de emergência funcionar, inclusive com neurocirurgião e cirurgião cardiovascular e um tomógrafo funcionando dentro da Santa Casa local, onde viveu a maior parte de sua vida e lutou incansavelmente pela sua sobrevivência.

José Salamargo ... estarrecido com a própria constatação de que a vida realmente é uma pequena participação neste mundo, fadada ao esquecimento. Morreu e tudo vai ser enterrado junto, até as lembranças. Descanse em paz meu irmão.



 


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