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Olimpia, 22 de Janeiro, 2018 - 12:48
Alta Tecnologia e muita preparação fazem o sucesso de “Deus Salve o Rei”

Cena na qual mostra a barraca de Amália (Marina Ruy Barbosa) / João Miguel Jr-RG



Sala do trono do reino de Artena, na qual aparecem o rei Augusto (Marco Nanini) e a princesa Catariana (Bruna Marquezine) / Marília Cabral-RG

 

 

Com apenas duas semanas de exibição, “Deus Salve o Rei” já conquistou o público e a crítica, que diariamente são brindados com uma produção majestosa, nunca vista antes no Brasil no quesito teledramaturgia; e muita gente está curiosa para saber como estão sendo feitas as magnificas cenas da trama que deixam muitas produções hollywoodianas com inveja. Além da temática medieval, o folhetim é ambientado em uma terra fictícia, inspirada em diferentes pontos da Europa. Mas não se deixe enganar, tais paisagens muitas vezes são criadas em computador e nada têm de reais, melhor dizendo, não serviram realmente de cenário para as gravações.  

A novela tem de sete a oito vezes mais volume em efeitos que a maior parte das produções da Globo e praticamente todas as cenas têm inserção de computação gráfica. O destaque vai para as cenas de batalha e as florestas virtuais que encantam o público. São florestas digitais de altíssima resolução e que são integradas às cenas gravadas dentro dos galpões, pensados e desenvolvidos em conjunto com a área de efeitos visuais da Globo.

“Deus Salve o Rei” é uma trama medieval com elementos dramáticos e cômicos, que conta com um trabalho minucioso e impressionante de tecnologia, figurino e cenografia para construir os dois reinos onde a história se passa. Como já é conhecido, a novela tem como ponto de partida dois irmãos príncipes que não querem o trono: um tem medo de ser rei e outro abdica ao trono pelo amor de uma plebeia.

Para dar vida a enormes castelos cheios de detalhes, vastos campos montanhosos, cavalos e carruagens em cenários majestosos, além dos dois reinos medievais com toda a grandiosidade deste universo, “Deus Salve o Rei” está sendo gravada em uma cidade cenográfica totalmente indoor nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, com dois galpões, medindo mais de dois mil metros quadrados. No primeiro, foi montado o reino de Montemor, com castelo e cidade fictícia. No segundo, o reino de Artena e uma grande área de chroma key (fundo falso, para que o cenário seja acrescentado digitalmente), para as cenas que envolvem efeitos visuais, florestas e as sequências de batalhas da trama.
Para o projeto, a Globo está usando técnicas avançadas, como captura de movimentos com mais de 50 câmeras, que trazem agilidade e precisão para as animações, e gruas computadorizadas capazes de reproduzir movimentos repetitivos com alta precisão. A equipe também desenvolveu internamente um sistema de scanner facial, que permitiu capturar e trabalhar o rosto dos atores, criando um modelo de alta resolução para aplicação nas cenas reais de uma produção de mais de 100 capítulos, com exibição diária, seis dias por semana. Além disso, estão sendo utilizados personagens digitais, que inauguram uma biblioteca de elenco e figuração virtual que podem ser usados em outras produções. Para ambientar a série, foram captadas imagens em oito países: Espanha, França, Nova Zelândia, Inglaterra, Islândia, Irlanda do Norte e Escócia. Uma pequena equipe viajou por 32 dias e fez quatro mil imagens.

Como já pode ser conferido nos capítulos exibidos, a novela conta ainda com uma produção de arte que confeccionou peças que vão desde carruagens até cerâmicas, copos, comidas, animais de caça e livros que compõem a decoração dos ambientes do cenário. Além disso, há objetos de luta, como espadas, machados, arcos e flechas, que foram comprados na Espanha e em Portugal ou produzidos no Rio de Janeiro. Grandes banquetes, característica marcante do período medieval, também compõem o cenário, com copos, canecas e pratos dos mais diversos materiais, como barro, madeira, estanho, pedra sabão e osso. Bandeiras, mapas, iluminuras, quadros e pinturas também estão presentes, auxiliando na identificação dos ambientes. 

Os atores também precisaram suar para seus personagens saírem perfeitos. Marina Ruy Barbosa, que faz a plebeia Amália, por exemplo, fez aulas de culinária, arco e flecha e hipismo. “Tive que tirar as panelas do armário. Aprendi como cortar os legumes, carnes. A Amália trabalha na feira e faz caldos. Precisei me familiarizar com esse ambiente”, conta a atriz. Bruna Marquezine, a princesa Catarina na história, praticou hipismo e fez aulas de luta e dança. “É uma luta com espada muito bonita. Me diverti no processo”, conta.

Os personagens de Johnny Massaro e Romulo Estrela ganharam apliques, mas se diferenciam no penteado, cor e textura. Rodolfo (Johnny Massaro) sempre tem um visual mais despojado e até meio desarrumado, como é o próprio personagem. Já o português José Fidalgo, que interpreta o Constantino ganhou um trançado com dread, além de uma barba diferenciada. A exceção fica com rei Augusto, Marco Nanini usa o próprio cabelo no tom grisalho para a composição do rei de Artena.

Na trilha sonora, inteiramente original, há 80 músicas, além de músicas típicas medievais e a trilha incidental. A canção de abertura é um novo arranjo de “Scarborough Fair”, especialmente gravada para a novela na voz da cantora norueguesa Aurora.

O horário das 18 horas sempre foi reservado pela Globo para exibir suas produções de época, mas agora a emissora está apostando numa trama medieval para o horário das 19 horas. A última após medieval foi em 1989, quando foi exibido com enorme sucesso a novela “Que Rei Sou Eu?”, que dizem os entendidos está servindo de inspiração para “Deus Salve o Rei”.

Agora resta aguardar para ver as surpresas que o autor Daniel Adjafre está reservando para os telespectadores, tudo produzido com muita tecnologia para a alegria dos fãs das tramas medievais


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