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Olimpia, 13 de Agosto, 2017 - 23:38
Sobre Construir Pontes e Erguer Muros

Ivo de Souza

Segundo a Palavra todos deveríamos nos preocupar em construir pontes, que unem, criam proximidade, laços e elos de convivência e amizade, ou seja, “Amar o teu próximo como a ti mesmo.


Mas não é o que o bicho homem resolveu só erguer muros (e não aprendem quanto a construir pontes) quanto mais altos, melhor. Assim não se vê sequer a cara do vizinho.

E as pessoas passaram a viver aquarteladas, presas pelos próprios muros que construíram. Tão fechadas em si mesmas quanto os muros que as trancafiaram dentro de seus mundinhos. Vivem orgulhosas e “felizes” num espaço que elas mesmas resolveram fechar (talvez seja o medo de ladrões, quem sabe?).

Eu prefiro construir cercas vivas; elas oferecem, generosamente, flores para embele­zar a minha casa e, gratuitamente, abrem-se em beleza e perfume para o lado do vizinho, ignorando a ignorância de quem só aprendeu a erguer muros frios e feios. Eu continuo, apesar dos pesares, construindo cercas floridas. Fazem bem aos meus olhos, ao meu coração e a minh’alma. E aos vizinhos (a alguns, é verdade).

Quem quiser que continue sufocando-se a si mesmo nos simulacros de fortalezas de concreto e na falta de sombra, de flores e de “paz de espírito”, que essas belezas nos proporcionam.

Aí aparece o chavão, o lugar-comum, o clichê: “O mundo está mudando”. Está sim. Realmente, continua evoluindo como sempre. Mas quem, na verdade, está mudando, e pra pior, infelizmente, são as pessoas, cada vez menos solidárias, mais egoístas (é claro que todos temos os nossos problemas, o mundo não é para ninguém um “mar de rosas”), menos felizes.

A correria não têm fim, e o estresse aumenta a cada dia...

O celular é o deus num mundo totalmente informatizado, altamente tecnológico (e o humano, onde foi parar, senhoras e senhores?). É o deus no templo da falta de comunicação e do calor humano. Ou é o deus “Komunikação”, em tempos de pós-verdades?

Eugênio Bucci, jornalista e professor da ECA-USP, citado na coluna da semana passada, fala de muralhas visíveis e de muralhas invisíveis, das cercas eletrificadas dos condomínios (altamente chiques!?) fechados, as catracas vigiadas por seguranças (fortemente) armados e (do pior dos muros): a desigualdade social. E os muros invisíveis? Já pensaram, alguma vez, neles? Separam ainda ma­is. que os visíveis. E são os mais perigosos (“opressores”). Co­mo exterminá-los se não são visíveis? Se não conseguimos vê-los? Bucci diz que eles estão “assentados na intolerância opaca”, segregando, cada vez mais, as pessoas, que só pensam em si, esquecem-se de Deus (ou só se lembram Dele na hora do desespero, da angústia, enfim, nos momentos difíceis, quando se sentem sozinhas) e das coisas belas, dos presentes que Ele nos dá de graça todos os dias, desde a manhã, quando nos levantamos.

Tudo está em rede, nada em off, tudo on line. Na verdade, como diz o professor Bucci: “Não existe sociedade em rede. O que existe são muralhas em rede”. O texto aborda a questão política, mas poderia perfeitamente, estar falando da distância que as pessoas estão criando em relação umas às outras (“do casulo blindado” feito de orgulho, soberba comandado pelo dinheiro (ou a busca desenfreada dele, pela falta de comunição real e pela fantasia virtual (que ilusão!). Somos virtuais!

Na verdade, as pessoas (em geral, não estou, aqui, especificando) têm a falsa impressão de que são homens do mundo (em tempo: a Globalização era (ou foi) apenas um conto de fadas, arquitetado sabe-se lá por quem?), mas não conseguem sair das próprias armaduras que criaram para si mesmas. Vivem em suas “prisões portáteis”, carregando-as para onde quer que possam ir. E, muitas vezes, não conseguem ir a lugar algum: vão do celular ao computador (ou a ferramentas mais modernosas) e vice-versa. Uma viagem e tanto!

Bucci fala, ainda, do emparedamento da imaginação, do pensamento (“político”) encarcerado e de clausuras ideológicas.

E as pessoas que se encaste­lam, cercadas por muros altís­simos, o que pensam do poder da imaginação da criatividade, do pensamento que anda empobrecido e de ideologias mortas ou  moribundas? Das ideias antigas, carcomidas (antiquadas, arcaicas, digo eu), diante da falta de flexibilidade, tolerância e gentileza no trato com o outro? Vivem “presas em torno de si mesmas”, por vontade própria, por ambição, porque os muros, as muralhas os isolariam dos problemas reais – mas como isso pode acontecer se os problemas estão dentro da gente e não fora?

E o diálogo, e as ideias das outras pessoas; não conseguem sequer ouvir argumentos que saem de outras bocas que não as delas próprias: acostumaram-se com a própria voz (e só com ela!).

Citando o professor Eugênio Bucci, da ECA-USP, : “Estão condenados os habitantes (‘desse admirável mundo novo’) do mundo contemporâneo. Não sabem conversar (perderam tal capacidade). Estão condenados às próprias sombras, aos próprios fantasmas, Para os velozes viajantes (‘desse trem-bala’) do século XXI, nada é mais improvável do que um encontro”, nada é mais absurdo do que uma conversa na calçada, um abraço forte e afetuoso (caloroso) no meio da rua.

P.S.: Estou escrevendo e refletindo sobre a Vida (“Viver é perigoso”, Guimarães Rosa já dizia...), não sou contra nenhuma forma de modernidade tecnológica. “As lições sabemos de  cor , só nos restam aprendê-las”. Bom-dia, meus caríssimos amigos. E viva la vida!

Ivo de Souza é professor universitário, poeta, co­lu­nis­ta, pintor e membro da Real Academia de Letras de Porto Alegre.

 


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