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Olimpia, 21 de Maio, 2017 - 21:39
Antônio Cândido: acima de tudo, um cidadão brasileiro

* O Brasil perdeu um de seus grandes pensadores. Um exímio mediador: Antônio Cândido (o professor Antônio Cândido) morreu na sexta-feira, 12 de maio. A intelligentzia brasileira  fica mais pobre do que já está.

* Cândido ajudou gerações de intelectuais, alunos, e estudiosos de Brasil a compreenderem melhor o país.


* Antônio Cândido transitava de um lado para outro (da direita pra esquerda e vice-versa) de forma natural. Era admirado pelos dois extremos, sem a polarização que corre solta nos dias de hoje. Era um verdadeiro conciliador (um pacificador, se é que podemos assim dizer).

* O professor buscava as qualidades (as melhores idéias) de cada lado e os “discursos mais relevantes” de cada seara. Trazia-os à luz para que fossem, então, debatidos, sem ânimos extremamente exaltados, sem paixões extremadas, sem radicalismos, respeitando as diferenças – não existe um ser igual ao outro nesse planeta azul, como o chamou o astronauta russo Yuri Gagarin. Justamente o oposto do que ocorre no Brasil e no mundo: as diferenças não são respeitadas.

* Atuou, com amor e força admirável, como crítico literário. Nessa área havia, de forma acentuada, um antagonismo (a “briga” era odiosa e acirrada).

* Marcelo Bortoloti, Época, 15 de maio de 2017, em O homem que construía pontes: Os “críticos literários de viés sociológico acreditavam ser a literatura determinada pelo meio social em que fora criada; do outro lado, os formalistas (seguidores dos formalistas russos) fechavam-se na análise do texto, ignorando toda a realidade ao redor: o texto valia pelo texto. Foi  Cândido que pôs os pingos nos is: as duas análises são complementares. Não são excludentes.

* Sua análise literária contemplava a sociologia, a psicologia e a antropologia, sem jamais deixar de lado a forma da escrita (aspectos linguí­sticos que distinguiam a originalidade de um escritor).

* Prossegue Bortoloti: Conseguiu demonstrar como a literatura reflete o contexto do país e surge da “originalidade” de um escritor (autor). Suas análises sempre contemplavam seu ponto de vista a respeito de mais de uma disciplina.

* Politicamente, o professor se definia como socialista democrático. Foi um dos fundadores do PT ao lado de Luiz Iná­cio Lula da Silva, nos anos 80.

* E mais: Foi Cândido quem descobriu o poeta João Cabral de Melo Neto (nos anos 1940). Foi um dos primeiros intelectuais brasileiros a falar de Clarice Lispector. Conviveu com os modernistas Mário de Andrade e Oswald de Andrade. Trocou cartas com Carlos Drummond de Andrade. O poeta mineiro escreveu “O Medo”, que dedicou a Candido. Formação da Literatura Brasileira é livro divisor de águas na história de nossa literatura. Um clássico nessa área. O livro começou a ser escrito em 1945 e só foi concluído em 1957. É sua “obra de fôlego”.

* Ao analisar a obra literária brasileira, era realista, mas não deixava de trazer a sua colaboração para que o brasileiro compreendesse as letras brasileiras.

* “Comparadas às grandes, a nossa literatura é pobre e fraca. Mas é ela, não há outra que nos exprime. Se não for amada não revelará a sua mensagem; e, se não a amarmos, ninguém o fará por nós. Se não lermos as obras que a compõem, ninguém as tomará do esquecimento, descaso ou incompreensão”. (Belíssima síntese, professor Cândido, sobre a literatura brasileira).

* Cândido, na USP, foi professor de Fernando Henrique Cardoso, formando quase uma geração inteira de liberais (homens de opiniões ou ideias avançadas, amplas, tolerantes, livres). Fará muita falta à nossa cultura e à nossa vida em sociedade, enfim, à vida intelectual brasileira.

* O professor Antônio Cândido sempre procurou assegurar a liberdade individual em vários setores (política, moral, religião, cultura, educação, etc.) da sociedade. Um homem digno. Um homem de bem e do Bem.

Outras Notas

* Flores no chão!  Uma ciclista ofereceu ao João Trabalhor um ramalhete em homenagem... aos mortos nas vias marginais.

* Doria, educadamente, como sempre, aliás, dedicou às flores a Lula, à Dilma e aos 14 milhões de desempregados do Brasil.

* Uma perguntinha: O que Lula, Dilma e os 14 milhões de desempregados tem a ver com as mortes nas vias marginais?


* E mais: Educadamente, jogou “as flores do mal” no chão. Gente fina é outra coisa!

* D. Viviane Senna perdeu uma excelente oportunidade de ficar de boca fechada. Comparou (mais do que isso) o sr. João Doria a seu irmão Ayrton Senna: “Nós temos hoje um novo Ayrton Senna, que é este moço”. Meu Deus, é o fim!!!

* No tal projeto de reforma trabalhista, “os rurais” (trabalhadores rurais), segundo Nílson Leitão (deputado federal do PSDB-MT), a expressão (frase) “salário ou remuneração de qualquer espécie” dá margem ao entendimento de que o trabalhador pode ser “pago” em comida ou moradia.

* D. Cármen Lúcia, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), falou: “O analfabetismo político (e qualquer outro tipo de analfabetismo, digo eu) se vence com a informação”.

* D. Cármen, eu diria mais: Todo tipo de analfabetismo não se vence só com a informação, mas com conhecimento (que é diferente de informação), com liberdade e senso crítico. E com responsabilidade, é claro.

Mais Notas

* Há uma ridídula “que­dinha” de braço entre alguns ministros “supremos” e os procuradores da Lava Jato e, em especial, uma “rixinha” entre o sr. Gilmar Mendes e o juiz Sérgio Moro.

* O ministro Marco Aurélio Mello (STF), por ser tio de uma advogada do escritório do sr. Sérgio Bermudes, declarou-se “impedido de atuar em processos patrocinados por tal escritório.

* Gilmar Mendes (STF), casado com uma advogada que trabalha no mesmo escritório, por outro lado, não viu problema algum em conceder habeas corpus (em latim ‘que tenhas teu corpo’) ao ex-todo poderoso Eike Batista, que é atendido pelo escritório do sr. Bermudes.

* Assim falou o “poeta” Mendes: “Algumas personalidades da vida pública nunca foram grande coisa(?) do ponto de vista ético, moral e intelectual. Ao envelhecer, passaram de velhos a velhacos. Envelheceram e envileceram”. São palavras do sr. Gilmar Mendes, depois de ter lido o ofício de Marco Aurélio.

* O sr. Fernando Henrique Cardoso nem parece que foi aluno do mestre Antônio Cândido.

* E, assim, “perolou” o sr. FH: “O sistema político brasileiro não favoreceu a formação de líderes nacionais. Isso agora está mudando (?). O Doria está fora (do antigo sistema), o Luciano Huck está fora (aliás, digo eu, estão fora e “por fo­ra”). Eles são o novo (???) porque estão sendo propelidos pelas forças de sempre”. Verdadeiramente, não dá pra entender uma opinião tão equivocada como essa do sr. ex-presidente. Sem mais comentários, pois chegamos ao fundo do fundo do poço. Com todo o respeito ao sr. Cardoso. Em tempo: Sr. FHC, o conceito é correto; os nomes, no entanto, não.

Qualquer Nota

* Marina Silva dise que [Dilma Rousseff] foi uma liderança política fabricada em nome da gerência. E citou “essa cultura política do gerente”. Na verdade, d. Marina não explicita o nome de Dilma, mas para bom entendedor um pingo é letra. Ou não foi isso que a sra. quis dizer, d. Marina?

* Frase da Semana (muito original por sinal): Ninguém está acima da lei” (Geraldo Alckmin, governador de São Paulo). Falou o “óbvio ululante” (nada a ver com Lula) o sr. Alckmin sobre Lula.

* Em tempo: O sr. Geraldo também é  alvo de inquérito na Lava Jato. Pois é, seu Zé, pois é... Ninguém está acima da lei... Ninguém...

* Hoje, no mundo, a oposição política se faz entre globalistas vs. nacionalistas. Exemplo concreto: Macron vs. Marine Le Pen, Trump vs. Hillary Clinton.

* O nacionalismo e os nacionalistas extremados (vitória do globalista Macron à parte, na verdade, um alívio para quem acredita na globalização e na democracia liberal) ganham fôlego e força na Europa e nos Estados Unidos. Os pró-globalização andam assustados (perplexos) com a extrema direita. Esta é a verdade.

* O futuro do euro e da própria União Européia (que hoje conta com 19 países) passa, principalmente, pelo encontro atual e futuros encontros entre a chanceler Angela Merkel e Monsieur Macron.

* Macron é vento novo, nova voz, novas idéias: um sopro de esperança para toda a Europa.

* E tem mais uma oposição “polarizada” entre erguer muros vs. construir pontes. Aliás, desde que o mundo é mundo e o homem é homem, essa dictomia sempre existiu. E continuará a existir.

Certas Notas

* A personalidade da vez é mesmo Emmanuel Macron. Para o cientista Dominique Moïsi (Instituto Montaigne, um centro de estudos em Paris), o mais jovem presi­dende francês, desde o imperador Napoleão Bona­parte, “concilia a aparência jovial de John Kennedy, em 1960, com a consistência intelectual e o estilo de campanha de Barack Obama, em 2008”. Um perfil e tanto! Pode também ser comparado com Justin Tru­deau (jovem primeiro ministro canadense), por conta da defesa de causas extremamente progressistas (o casamento gay e uma economia verde).

* Porém, muitos e grandes desafios esperam pelo jovem presidente francês. Conseguirá superá-los? É aguardar pra ver. O país polarizado é seu maior desafio. Dificultará, certamente, as reformas a serem empreendidas pelo defensor de uma democracia liberal (uma visão liberal-social): o liberalismo econômico, convivendo com a preservação do Estado de Bem-Estar Social. En Marche!, Macron.

Cumpadres

Bom-dia, meus amigos. Escrever a coluna é para mim um exercício intelectual prazeroso e indispensável. Tê-los como leitores só me faz querer escrever mais e mais.

Cortina

Personagem da semana pa­ra uma revista de circulação nacional é o sr. Trump: Ao demitir (“eliminar”) um diretor do FBI, como se (ainda) comandasse um reality show, recebeu vaias do público (pla­teia), que tomou as dores do eliminado, Mr. James Co­mey. O diretor do FBI apurava as irregularidades na eleição de Trump (como a Rússia interferiu (teria interferido) na eleição de 2016, em favor de Donald Trump).

Na Ponta da Língua

1. Não use o acento grave (indica a ocorrência da crase):

As reuniões serão de quarta A sexta.

Tais fatos ocorreram de 1975 A 1990;

O projeto sobre ecologia abrange de quinta A oitava série.

O curso terá de três A cinco horas de duração.

2. Mas: A aula será das 7 Às 11 horas.

O ensaio será das 8 Às 10 horas.

O almoço será servido das 12 À 1 da tarde.

No segundo caso, a preposição está combinada com o artigo feminino (a ou as), empregue, então, à ou às no segundo termo: ...das...às.

3. Não há crase depois de preposição:

Só atenderemos após as dez horas.

Desde as 6 horas uma multidão espera os médicos.

O governador discursou perante a Câmara.

Exceção: preposição até, quando o uso da acento grave é facultativo:

Caminhamos até a escola ou

Caminhamos até à escola.

4. Escreva corretamente.

Daqui a três meses serão realizadas as provas do concurso.

Daqui a pouco chegarão os convidados.

Estamos a horas de encontrar as respostas para tal situação.

O curso foi iniciado há três semanas.

Ainda há pouco todos estavam em casa.

Resumo da ópera: a indica tempo futuro; há, tempo já decorrido (passado).

Ivo de Souza é professor universitário, poeta, co­lu­nista, pintor e membro da Real Academia de Letras de Porto Alegre.

 


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