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Olimpia, 31 de Janeiro, 2016 - 17:19
O ladrãozinho de tudo quanto

Willian Zanolli

Li muita coisa de Garcia Marques e aconselharia a quem gosta de literatura que se perca e se ganhe deleitando-se com os escritos maravilhosos deste mestre da palavra que pontua o autoritarismo e a corrupção na América Latina como ninguém.


No “Outono do Patriarca”, um dos inúmeros livros que dão continuidade a saga do Coronel Aureliano Buendia em “Cem anos de Solidão”, Marques esboça o perfil de um patriarca corrupto que todas as decisões, por mais ínfimas que fossem, deveriam passar pelo seu crivo.

O estado de abandono em que se encontrava o território que era seu domínio deve ser descrito como invulgar e surreal como toda a obra do premio Nobel de Literatura.

Porém, nada passava desapercebido pela ganância, vileza, do ditador de plantão no vilarejo em que a parteira pagava ao coronel parte do recebido pelo cidadão que trouxe ao mundo e o dono da fábrica de velas pagava pelo que se despedia de estar entre nós.

Uma história genial, que parece o submundo da política brasileira, onde a empresa para se instalar paga pedágio ao pior de todos os bandidos nacionais, o homem que detêm o poder, daí as Máfias do ISS.

Se o cidadão tem algum terreno em algum loteamento em algum vilarejo comandado por algum patriarca corrupto, com certeza poderá ter a má sorte de ser vizinho de alguma autoridade, ou de parente, ou de amigo da autoridade, por que a autorização para a instalação do loteamento às vezes passa pela cessão obrigatória de um porcentual considerável do loteamento para os corruptos de plantão.

Ninguém na corruptela comandada pelo Patriarca faz alguma coisa que possa trazer lucros sem que a mão bandida e marginal do tiranete não esteja estendida na sua direção, como os mafiosos da Chicago, os criminosos estão atentos a tudo quanto possam amealhar de forma indevida e ilícita para si.

Se a empresa é lucrativa lá estará a fiscalização sórdida e daninha a exigir parte do lucro com a ameaça da multa e a severidade do cumprimento da lei, que o suborno pode muito bem contornar.

As leis, como os legisladores, são coisas de interesses e de ampliação do patrimônio de quem não vale uma moeda do dinheiro pelo qual se corrompe e deixa no descaso a corruptela abrigo de cães vadios de fraque e cartola que possam na Dog Ville imaginária dos abusos e da canalhice expressa que avilta e se impõe pelo dinheiro.

Nada há o que não se compre ou se corrompa e o mestre maior, o líder nefasto do universo da ladroagem não poderia ser diferente da massa escrota e nojenta que o cerca.

Tudo cheira a pestilência e degradação e quem sustenta este estado de coisas neste mundo surreal onde quem nada vale tem estátua de herói erigida em praça pública e nome de rua, são exatamente os que mais sofrem com as mazelas e desmandos totalitários, os que pagam a conta, o supérfluo, os que­ sus­ten­tam os inúmeros gangs­teres que dominam o universo corrompido da cidadela.

Como hoje estamos literários, vamos teatralizar um pouco. Pulemos para a obra de Bertold Brecht e Kurt Weill, “Ascensão e queda da Cidade de Mahagonny”, que pode ter a ver com o tema e me auxilia a concluir este debate com um fecho mais eletrizante e com fundo moral adequado ao meu bom mocismo.

Mahagonny, no texto, é uma cidade criada da noite para o dia em uma região deserta próxima de uma zona de mineração, uma cidade arapuca que quer atrair os mineiros para ficar com seu dinheiro, cidade com muita bebida, diversão e sete dias de descanso.

Em Mahagonny o lema era “você tem permissão”, “tudo é permitido se tiver dinheiro”, algo bem próximo do que se vive neste tempo.

Sobre esta obra, Theodor Adorno escreveu que o mundo burguês é desmascarado com o absurdo, e que este absurdo é real e não simbólico.

O sistema capitalista com sua ordem, sua justiça, sua ética é visto como uma anarquia. Nós vivemos em uma Mahagonny onde tudo parece ser permitido a não ser uma única coisa: não ter dinheiro.

A desumanidade extrema da sociedade baseada no dinheiro é desmascarada quando, no final, Jim Mahonney, personagem principal, é condenado a morte pelo simples fato de não ter pago três garrafas de uísque, e as pessoas que lhe são mais chegadas, sua amante, seu melhor amigo, se negam a lhe emprestar o dinheiro que salvaria a sua vida.

O titulo da cena da execução é: “Decerto muita gente lamenta a execução de Jim Mahonney que será mostrada a seguir, mas, em nosso entender, essa gente também não quereria pagar por ele, tão grande é no nosso tempo, o respeito pelo dinheiro”.

Alguém da literatura argumentou que a arte imita a vida.

Creio nesta e noutras hipóteses, e visualizo uma tristeza profunda, não sei se nos textos do Garcia Marques, se no texto de Bertold Brecht, ou se na vida dos que se entregam de corpo e alma à luta na busca do dinheiro, de todas as maneiras e formas, através de métodos ilícitos, sem nenhum equilíbrio e nenhuma consciência de que o que sobrará de seu corpo terminará, como o da maioria, em um saco preto de lixo, ao lado de algum cadáver que espera a decomposição e que seus ossos e tudo que de si reste tenham o mesmo destino.

Willian A. Zanolli é ar­­tista plástico, jornalista, estudante de Direito, pode ser lido no www.willianzanol­li.­blo­gs­pot.com e ouvido de segunda, quarta, quinta e sextas-feiras, das 11h30 às 13h­00 no jornal Cidade em Des­taque, na Rádio Cidade FM 98.7, e, aos domingos, no Sarau da Cidade, das 10h00 às 12h00, na mesma emissora de rádio.

 


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