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Olimpia, 20 de Dezembro, 2015 - 15:39
O admirável mundo novo, a vida de gado marcado, na trajetória de Eugênio e adjacências?

“Quero deixar a infelicidade do registro, e ao mesmo tempo a felicidade de tê-lo como amigo na juventude, foi-se embora do planeta uma pessoa com uma aura notável.

Se despediu, com certeza, carinhosamente da vida que leva embora consigo para outras planícies.


Ele, que jogou bola nos campos de terra desta cidade, nadou em riachos de água pura, e sorveu o que há de melhor e cristalino na caminhada que leva sempre aos acenos de adeus.

Foi-se embora meu amigo de infância, com quem tive a felicidade de fazer muitas estrepolias boas por aqui. Com quem me encontrava vez por outra na capital para uma sessão de saudades e bebemoração.

Bom de conversa e animado sempre, se despediu da gente Adilor Clemêncio da Silva Junior, figura muito carinhosa, o atlético Batatão.

Deixa histórias de um tempo bom, saudades. Até lá amigão.”

 

Willian Zanolli

Gosto de ler. E entre as leituras que gosto está Aldous Huxlei e em razão dos últimos acontecimentos veio à memória uma entrevista que me marcou muito, da qual selecionei alguns trechos e a minha moda fiz uma releitura que espero que gostem.

A ciência fez muito mais para aumentar a servidão que para diminuí-la. Em primeiro lugar, pelas aplicações na guer­ra. Me­lho­res aeroplanos, melhores explosivos, melhores canhões e melhores gases – cada melhoramento aumenta a soma de terror e ódio, dilata a incidência da terrível histeria nacionalista. Em outras palavras, cada melhoramento em matéria de armamento torna mais difícil esquecermos essas horríveis projeções de nós mesmos que se chamam os ideais de patriotismo, de heroísmo e de glória.
As aplicações menos destrutivas da ciência não são, na realidade, muito mais satisfatórias. Porque resultam na multiplicação de objetos possuíveis, na invenção de novos instrumentos de estimulação e na disseminação de novas necessidades, por intermédio da propaganda. O terrível objetivo da propaganda é fazer com que os homens confundam posses com bem-estar.

Para nos distanciarmos dessa noção, que faz de nós como que escravos de nossas próprias posses, jamais aceite o seu mundo como normal, racional e justo. Não deixe que os propagandistas multipliquem suas necessidades, não identifique a felicidade com as posses e a prosperidade com o dinheiro para gastar nas lojas.

Fazer o bem não é importante, é melhor contentar-se com a abstenção de fazer o mal; é mais fácil e não produz resultados tão terríveis como tentar fazer o bem de maneira errada.
Seja cínico. O cinismo é uma qualidade se não for excessivo. Boa parte das coisas que nos ensinaram a respeitar e a reverenciar não merecem mais do que cinismo. Considere o seu próprio caso. Você foi ensinado a cultuar ideias como o patriotismo, a justiça social, a ciência e o amor romântico. Disseram-lhe que virtudes como a lealdade, a temperança, a coragem e a prudência são boas em si mesmas, independentemente das circunstâncias. Garantiram-lhe que o sacrifício é sempre esplêndido e que os belos sentimentos são sempre bons.

Quem não for firme e inabalavelmente cínico em relação ao palavrório solene dos políticos, bispos, banqueiros e todos os demais está perdido … Completamente. Condenado à prisão perpétua no cárcere do ego, condenado a ser uma personalidade no mundo das personalidades – mundo este que é nosso mundo; mundo da cobiça, do medo e do ódio, da guerra e do capitalismo, da ditadura e da escravidão.
A cobiça e a ganância são realmente terríveis. Em nossa sociedade moderna, o ideal franciscano é impraticável. Mas isso não significa que possamos simplesmente desdenhar São Francisco como se ele fosse louco. Pelo contrário, a loucura é nossa e não dele. A pobreza e o sofrimento só enobrecem quando são voluntários. A pobreza e o sofrimento involuntários só podem tornar piores os homens.

Quem quiser tornar o mundo um lugar adequado terá que formar um sistema que reduza ao mínimo a quantidade de cobiça, medo, ódio e dominação – um sistema que proporcione segurança econômica o bastante para livrar os homens ao menos dessa fonte de preocupação e propriedade o suficiente para protegê-los de maus tratos por parte dos ricos, mas não demais, para não deixar que maltratem o próximo.

Claro que não será nada fácil. Nada se pode fazer de efetivo por alguém que não queira ou não possa colaborar conosco. Por exemplo, não será possível preservar os homens dos horrores das guerras se não estiverem dispostos a renunciar aos prazeres do nacionalismo. Será impossível livrá-los das crises e depressões enquanto eles teimarem em pensar apenas em termos de dinheiro.
A origem de alguns de nossos erros mais fatais consiste na seriedade mal aplicada. Só devemos levar a sério o que merece ser levado a sério. Tenho uma relação bastante complicada com a literatura. Eu a aprecio, mas reconheço seus defeitos.

Um dos maiores defeitos da chamada boa literatura é que, aceitando a escala convencional de valores, respeitando o poder e a posição social, admirando o sucesso, considerando razoáveis as preocupações, em geral tolas, dos estadistas, amantes, homens de negócios e dos ansiosos por subir na escala social (numa palavra, levando a sério tanto as causas dos sofrimentos quanto os próprios sofrimentos), ela contribui para perpetuar a desgraça, aprovando, implícita ou explicitamente, uma longa lista de ideias, sentimentos e práticas que só podem resultar em desgraça.

A pior parte é que tais coisas são expressas na linguagem mais magnífica e persuasiva – de modo que, mesmo quando uma tragédia acaba mal, o leitor, hipnotizado pela eloquência da peça, sente-se propenso a pensar, ainda assim, que tudo aquilo era, de algum modo, nobre e compensador.
Considerados desapaixonadamente, nada podia ser mais sórdido do que os temas de Fedra, de Otelo, de O Morro dos Ventos Uivantes ou de Agamêmnon. Mas, como a maneira de exibir estes temas é sublime e empolgante no mais alto grau, o leitor ou espectador fica na convicção de que, a despeito da catástrofe, “tudo estava muito bem nesse mundo”, o mundo demasiadamente humano que produzira aquela tragédia.
Leia o que quiser, desde que acrescente algo à sua vida. Muitas vezes, lemos um livro todo e não achamos uma simples frase de que nos possamos lembrar para fazer uma citação. Eu pergunto: para que servem livros assim?
Ouso dizer que as pessoas mais promiscuamente devassas são muitas vezes aquelas a quem a natureza cruel negou talento para a galanteria. Privadas, por uma frigidez constitucional, do gozo do prazer, vivem em eterna rebeldia contra seu destino. A força que as leva a multiplicar o número de suas aventuras galantes não é a sensualidade, e sim a esperança. Isto é, não o desejo de reiterar a experiência de um prazer conhecido – e sim a aspiração a uma felicidade vulgar e mui gabada, que nunca tiveram a fortuna de experimentar.
A maioria dos devassos é assim não porque goste da devassidão, mas sim porque sente mal-estar quando se priva dela. O hábito transforma os gozos peculiares em necessidades monótonas e cotidianas. O homem que adquiriu o hábito das mulheres ou da genebra, de fumar cachimbo ou de suportar a flagelação, acha tão difícil viver com os seus vícios como viver sem pão e água.
É assim que os vícios funcionam. O viciado desce, infatigável e desesperadamente, ao vale das sombras na sua mortezinha particular, à procura de algo diferente de si mesmo, algo diverso e melhor que a vida que vive miseravelmente, na condição de pessoa humana, no mundo hediondo das pessoas humanas. Desce e, ou violentamente, ou em deliciosa inércia, morre e se transfigura – mas morre apenas por algum tempo, só se transfigura momentaneamente. Após a pequena morte, dá-se a pequena ressurreição: ressurge-se da inconsciência, da excitação autoaniquiladora, para a mísera consciência da solidão, da fraqueza, da indignidade, para uma separação mais completa, um senso mais agudo da personalidade. E, quanto mais aguda a sensação da personalidade separada, mais urgente a necessidade de uma nova experiência paliativa de morte e transfiguração… O vício alivia, mas, aliviando, aumenta as dores que necessitam de alívio.
Claro. No plano humano, os homens vivem imersos em ignorância, concupiscência e temor. Disto resultam alguns prazeres temporários, muitas misérias duradouras e frustração final.”
E como não poderia deixar de ser, já que nada escrevi, transcrevo a frase que anda na boca dos suburbanos que acenderam a novos ricos.

Tem vida mais barata, mais num presta não. Será?

Obrigado Huxlei. Até a próxima, leitores.

 

Willian A. Zanolli é ar­­tista plástico, jornalista, estudante de Direito, pode ser lido no www.willianzanol­li.­blo­gs­pot.com e ouvido de segunda, quarta, quinta e sextas-feiras, das 11h30 às 13h­00 no jornal Cidade em Des­taque, na Rádio Cidade FM 98.7, e, aos domingos, no Sarau da Cidade, das 10h00 às 12h00, na mesma emissora de rádio.

 


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