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Sáb, 16 de Maio de 2009 22:00 |
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Carro novo com air bags
Willian Zanolli Lembrei de uma historinha que me ocorreu há muitos e muitos anos atrás, exatamente quando foram lançados os sistemas de air bags. Daí, após ter degustado uma saladinha com bife, o papai do Noel esfregou a lâmpada mágica e plunct plact zummmmm, o super gênio surgiu no meio da fumaça de turbante lilás, com efeitos “estroboscópicos”, e sua troupe abanando-lhe as longas melenas, misto de cantor de rock, jogador de futebol, Homem Aranha e Chaves. E sempre acenando para a mídia, que os gênios neste mundo midiático de informações universais, aspirantes a detentores de poderes esotéricos e magias transformadoras do universo não resistem aos cinco minutos de fama. E cantava, luz quero luz, nem que todos os barcos retornem ao cais e o farol da costeira emita sinais, quero maissss, muito maissss. E assim que o canino esfregador de lâmpadas mágicas viu aquela figura maravilhosa, perdida entre os rajás da Índia, os monges tibetanos e o corpo esbelto do Maradona, pensou que estava, enfim, vendo solucionados todos os problemas de ordem terráquea. Três pedidinhos, isto é um trisco e um risco para quem fez opções acertadas, cercadas de ponderação e balizadas pela conduta ética da maioria dos associados do Cartel de Merdelhins, os grandes e corruptíveis merdalhões. Sempre pensando no bem estar coletivo, no que pode haver de melhor para todas as comunidades no entorno da rocinha que habitamos, pediu tudo que imaginava pudesse ser o melhor para todos e para si. O para si sempre vem nestas abençoadas malditas horas. É que ninguém em sã consciência ou em total falta da mesma esquecerá de se beneficiar na hora de um pedido de benesses que seja, quanto mais na possibilidade única da solicitação de três, neste país onde fura-se o saco das boas intenções, mais não se cansa a alma pedinte mendiga e abençoada deste povo matreiro, uzeiro e vezeiro dos bons maus costumes. E assim sendo, que assim sempre “o foi”, como diria o grande e esquecido Eurides de Freitas, popular no tempo que lhe foi dado a andar pelas ruas e travessas desta urbe, pela alcunha carinhosa de Delapita, popular Pitinha. E se ele do alto de sua sapiência adquirida nos campos de futebol, e pelo mundão de meu Deus afora entre dribles e cambalhotas, afirmava que assim o era é por que assim o fora, mesmo não “o sendo”. Ah! Sim falávamos dos pedidos ao gênio, na ordem de três, quando estacionamos em saudades de gente que já emocionou nós outros, que garantia com os dedos dos pés cruzados, que nos lia, relia e trelia. Sim, voltemos a solicitação coletiva do esfregador, de antanho, preocupado com o coletivo, como muitos tantos outros, cuja construção do caráter foi feito com o barro que construiu as casas históricas de São Luiz do Paraitinga, por isto não tão resistente a chuva constantes, basta uma aguinha de nada nos seu frágeis alicerces para que a construção de suas histórias venham do ponto de vista moral abaixo. Se bem que o patrimônio histórico não perderia nada com este vir abaixo desta gente podre de princípios. Me perdi de novo em análises filosóficas de baixo nível acerca da estética da ética dos Macunaímas da nossa Bruzundangas. E aí, o que pensa no bem estar coletivo, na história que pensei lá atrás, pediu ao gênio que saiu em magnífica performance hollywodiana da lâmpada mágica, três comoventes pedidos. Uma mão para si que fosse suave e carinhosa, de tal forma que acariciasse as partes ocultas e veneradas do seu chefe como se estivesse apalpando plumas de algodão, ou acariciando flocos brancos saídos das paineiras, painas, ou então, acariciando nuvens, esse o primeiro dos pedidos. O segundo, uma bolsinha, do veludo mais meiguinho que houvesse para guardar sem riscos a matéria de tanto carinho, aquela parte que o chefe gosta que seja puxada com suavidade, com carinho, com amor, sempre pensando no bem comum, chefe feliz, mundo feliz. O terceiro, um carro com dezoito Air bags, para o chefe viajar em segurança, hair-bags até na fechadura do possante, e a ressurreição do Ayrton Senna, para motorista, afinal são demais os perigos desta vida. E o céu, o céu pode esperar, segundo as afirmações dos fanáticos, lá tudo é uma maravilha, não precisa de nada. Aqui na terra, no entanto, precisamos de tudo e um pouco mais, e sem o nosso maravilhoso chefe, que será de nós? Pode até ser que algumas coisas se acertem, só que outras tomarão rumos outros que nos prejudicarão a todos os que “dependemos” do emprego conseguido a custa de muita “babação” de ovos, muita bajulação e “puxasaquice”. Pena que expiraram os pedidos, tivesse pensado antes o feliz esfregador de lâmpadas, poderia ao invés dos Air bags e a ressurreição do Senna para ser motorista do chefe, poderia ter pedido vida eterna ao chefe. Afinal ele e o mundo merecem, mesmo que uns não pensem assim, pena que o mito da vida eterna, como heróis, só existe no gibi. Willian A. Zanolli é artista plástico, e oferece o artigo de hoje para a ronronante Motoquinha, para a gata Niquinha, para as cata gatas Ginger e Gaby e para o Scuby, companheirão das longas madrugadas em que o tempo parecia estacionar nos nossos sonhos e uivos, onde quer que esteja, e para a Toninha que um atropelamento levou para o andar onde vivem os felinos.
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Última atualização em Seg, 08 de Março de 2010 23:08 |
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