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Dom, 05 de Fevereiro de 2012 00:00 |
UPAs funcionam ou não funcionam?
DO CONSELHO EDITORIALEste texto, para que não paire suspeição de tendenciosidade, foi extraído de artigos de opinião, matérias jornalísticas, blogs e opinião de internautas, afora algumas ponderações e adaptação para a nossa realidade, tem por objetivo discutir a instalação da UPA - Unidade de Pronto Atendimento e possíveis consequências futuras. Os maiores hospitais do Estado estão se acabando sem uma melhor infra-estrutura para atender a população carente, que sofre ao procurar essas emergências. Os hospitais, as UBS e as UPAs não possuem uma boa qualidade de atendimento ao povo. O que se espera é que o governo vise melhor essas emergências que não vêm dando uma melhor qualidade à saúde da população mais carente, o pobre, que precisa desse serviço público. Lançadas para corrigir estas carências, como parte da Política Nacional de Urgência e Emergência (2003), as Unidades de Pronto Atendimento (UPA 24 horas) funcionam como unidades intermediárias entre as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e os hospitais e vieram para ajudar a desafogar os prontos-socorros, ampliando e melhorando o acesso dos brasileiros aos serviços de urgência no Sistema Único de Saúde (SUS). Essas unidades atendem a casos de saúde que exijam atenção médica intermediária como problemas de pressão, febre alta, fraturas, cortes e infartos, evitando que estes pacientes sejam sempre encaminhados aos prontos-socorros dos hospitais. As UPAs funcionam sete dias por semana, 24 horas por dia. Sua estrutura conta com equipamentos de raio-X, eletrocardiografia, laboratório de exames e leitos de observação. Ao chegar a uma UPA, o paciente é assistido e pode ser tratado na própria unidade ou, conforme o caso, encaminhado a um hospital ou para a atenção básica. Às UPAs cabe o atendimento das urgências de média complexidade e o setor de urgência dos hospitais realizam o atendimento das urgências de maior complexidade. Importante notar que a Controladoria Geral da União (CGU) admitiu que a Saúde tem a pior fiscalização do Governo devido ao controle absolutamente ineficiente das transferências para os Estados e Municípios. Falta transparência no Ministério da Saúde, favorecendo os desvios de recursos. Apenas 2,5 % das transferências da Saúde são fiscalizados. As UPAs - Unidade de Pronto Atendimento, segundo o entendimento de muitos, é uma farsa, ou uma “máquina de ganhar votos” com prazo de validade, conforme revelado pelo Jornal do Brasil. Há o entendimento de que se trata de uma fraude porque foi deliberadamente construída dentro de um sistema disfuncional. Quem desenvolveu o programa sabe disso e a intenção foi de colher frutos políticos imediatos, pois no início tudo funciona até atolar. Em algum tempo, pouco tempo, as UPAs serão versões miniaturas dos hospitais, com gente internada em macas, nos corredores, falta de material, de profissionais etc. Em muitas cidades as UPAs vivem já esse quadro com macas em corredores com pacientes graves aguardando vagas em hospitais regionais que sempre estão superlotados. A situação só ganha “maquiagem” quando chegam as eleições, onde aparece material e mão de obra e as tão desejadas vagas que com um celular nas mãos de políticos surgem num passe de mágica.
Quando acaba a eleição o sonho de uma continuidade de melhora no atendimento vai por água abaixo. Os hospitais cessam os atendimentos, a maioria das pessoas passam a procurar a unidade. A insatisfação da população ao procurar o hospital e receber a notícia de que deve buscar atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) deixa a constatação de que esta realidade não deveria existir, por não conceber a ideia da existência de um hospital que não funciona. A impressão que passa é a de que na época das eleições os políticos sabem pedir voto, mas quando se precisa de atendimento, as pessoas buscam UBS, UPAs e hospitais e a população dá com a cara na porta. Não há controle, não há administração capaz de gerenciar a aplicação dos recursos e a mesa está posta para a ação dos corruptos. E a Saúde Pública agoniza; e os pacientes morrem; e muitos médicos, desapontados, se evadem do setor público. Segundo estudos realizados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a população brasileira já percebe a falta de médicos e a demora para conseguir assistência no sistema Único de Saúde. Sem condições mínimas de trabalho e sem salário digno, a evasão de médicos da rede pública é notável. Além disso, o número de interessados em participar de concursos públicos é cada vez menor. O Conselho Federal de Medicina (CFM) já denunciou que o SUS carece de financiamento e de políticas que promovam a universalização do atendimento médico e que há um subfinanciamento que assola a Saúde Pública do País. Mas como isso vai ocorrer se não há fiscalização no repasse e na aplicação desses recursos? A quem interessa essa balbúrdia: aos empresários donos de planos de Saúde ou ao governo? Os casos de superfaturamento na compra de remédios e de equipamentos nunca são devidamente esclarecidos. Além dos desvios financeiros, o SUS é corrompido por informações falsas. Concebidas como solução para as longas filas dos hospitais públicos, as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) vivem hoje uma situação muito semelhante àquela que tentavam evitar. Em algumas unidades, o tempo médio que os pacientes aguardam para serem atendidos chegam a cinco horas. Outro problema é que o número de pessoas atendidas vem diminuindo em algumas unidades. As UPAs são um dos maiores factóides políticos dos últimos tempos, uma máquina de ganhar votos. A UPA não é mais uma porta de entrada para um sistema é uma barreira entre o paciente e os hospitais. A polêmica da instalação da UPA na cidade envolve várias questões, entre elas, os serviços que poderão ser ofertados na nova unidade que segue padrão nacional e não compreende todos os procedimentos feitos hoje na Unidade de Emergência, que, segundo o projeto, funcionará apenas como leitos para a UPA e para o Hospital local. O que se deveria temer é que a situação da saúde, que hoje já não é boa, fique ainda pior. Porque a UPA não dá garantia nenhuma de que os serviços essenciais que a Unidade de Emergência faz serão oferecidos lá. Sem contar que não há nexo na troca de um patrimônio tão grande, como o do hospital, com uma estrutura tão boa, por um espaço sem ter essas garantias que funcione. A Upa tem que ser vista enquanto proposta como sendo uma questão duvidosa, visto que em algumas cidades do país o serviço não funciona de forma satisfatória que justifique o fechamento de uma Unidade de Emergência. O projeto inicial não falava em fechamento da Unidade de Emergência e sim que haveria um novo local que receberia equipamentos e estrutura, proporcionando assim melhores condições de saúde à comunidade. É necessário refletir sobre o papel de cada um na melhoria da saúde brasileira. Estariam nossos governantes cometendo negligência com a população, ou a população não sabe de fato se beneficiar das políticas disponibilizadas? Há que se evoluir muito no sentido político, porém, a população também precisa exercitar seus direitos usufruindo daquilo que já tem à disposição. Na prática as coisas não funcionam como propaga o prefeito local. O povo de Olímpia está morrendo por falta de atendimento médico. E espera que as mudanças reais aconteçam também na saúde local. Esse conjunto de falhas na rede municipal de saúde na cidade, pode lesar a vida de cidadãos olimpienses e campanhas de políticos se isso continuar. As falácias do pré-candidato acabaram por lhe tirar vários votos, pode tirar outros. Muitos não vão mais votar, eles foram vitimados pela propaganda estatal que prega uma realidade inexistente de uma saúde pública a beira da morte que pode estar conduzindo a outros planos cidadãos e cidadãs que tinham planos de continuar vivendo e que foram interrompidos pela ineficácia, incompetência, incapacidade e falta de humanização do homem público que não se compromete com a verdade e com a continuidade da vida do próximo.
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Última atualização em Dom, 05 de Fevereiro de 2012 12:22 |
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