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Dom, 25 de Julho de 2010 00:00 |
Obra de arte não tem cabeça?
Do Conselho EditorialO artista plástico Antônio Masini, quando se deslocou da Itália com a finalidade de esculpir em ferro, simbólica e metafórica obra de arte, que seria exposta na praça central de Olímpia, pensou em homenagear os colonizadores, os homens e mulheres que deram significativa contribuição à construção da cidade e do país.
E assim o fez, tanto que na praça central, instalada está sua intervenção artística, entendida por uns e incompreendida por outros.
Neste aspecto, cumprindo a função primeira das grandes obras de artes, estimular o debate, e até provocá-los.
E na felicidade apropriada aos grandes mestres, talvez, e aí entra o talvez, por se traduzir em manifestação do inconsciente de quem escreve, elaborou-a sem cabeça para passar a idéia que raça não tem rosto, tem humanidade.
É na raça, que independente de credo, filosofia ou ligação política que o humano se completa.
E foi duplamente feliz, pois na sua contemplação, no seu lirismo, na sua profética vocação de artista, que faz antecipar o tempo e a discussão errática acerca do desconhecimento sobre o belo e sobre o espiritualizado, parece ter percebido que os acéfalos dariam contribuição nefasta e negativa sobre o valor de sua obra.
Tanto que, fazendo leitura dramaticamente mais realista, sobre a ausência de cabeças na obra de arte, pode se fazer à observação de que estão representados ali os ausentes de cérebro e de alma suficientemente estimulada para interpretar o lúdico.
Está em discussão a retirada da obra esculpida por Antonio Masini, do espaço que ocupa na praça central da cidade. E para endossar a vontade que parece pessoal, o prefeito local observa que noventa e nove por cento da população não entendeu ou não gosta do trabalho.
Por outro lado, há quem afirme que o debate se dá em razão da mesma ter sido construída na gestão passada.
Levando-se em conta que não há pesquisas que demonstre esta insatisfação de noventa e nove por cento, e a indisposição que nutre o prefeito pelo seu antecessor, há que se chegar à conclusão que a segunda hipótese é mais verossímil que a primeira.
Consideremos, porém, que os noventa e nove por cento realmente tenham se incomodado com isto. O que para um país de alienados, que não se incomoda nem com o baixo salário que os políticos impõem, há que se concluir que é uma inverdade, uma grosseria, mas, por amor ao debate, faça de conta que é verdade.
Noventa e nove por cento dos que não se queixam da falta de qualidade do ensino público, preocupados repentinamente com questão que parecia esquecida.
Pode parecer estranho este incômodo repentino, não cabe aqui, como não há tempo hábil para consultar os mais de cinqüenta mil habitantes, que seja, para a discussão, real a informação emitida pelo primeiro mandatário.
E sendo, e tendo o prefeito, entre suas atribuições a de mando, necessário para o enriquecimento das questões levantadas, lembrá-lo que entre outras ferramentas que dispõem para emitir opiniões acerca de valores culturais colocados em dúvida com a Secretaria de Cultura. Secretaria que custa os olhos da cara para o município, diga-se de passagem, e cujos membros deveriam ter claro que entre suas funções está exatamente esta de atestar o valor cultural do acervo municipal.
Diga-se mais, a título de colocar ordem na discussão, é exatamente esta Secretaria que deveria estar presente no debate, pois ao se desvalorizar através de enquetes duvidosas e opiniões pessoais do prefeito a obra de Antonio Masini, em contrapartida, está se reafirmando a inutilidade da presença da Secretaria de Cultura na vida pública local. Pois, levar em consideração o senso comum em detrimento do bom senso é o mesmo que atestar o valor da maior importância da ignorância sobre a informação.
Se por acaso, historicamente, as obras dos grandes rejeitados na história universal, nas artes plásticas, música, cênicas, dança, literatura, fossem submetidas ao crivo do pensamento da maioria, não teríamos nem grandes obras, nem grandes mestres.
A título de ilustração, vale notar, Van Gogh, Gauguin, Lautrec, Straws, Beethoven, Moliére, Brecth, Shakespeare, Gogol, Dante, teriam ido para o lixo sem contemplação, por não terem sido compreendidos no seu tempo. No entanto, séculos passados, estão entre os mais caros e os mais lidos da humanidade.
Não se está aqui emitindo juízo de valor acerca da obra de Antonio Masini, muito menos se afirmando que se trata de obra de arte ou não.
Como afirmado acima, o correto seria que a Secretaria de Cultura, mesmo que o secretário não esteja habilitado para discussão de tal dimensão teórica, através dos mecanismos que dispõem contratar, ou convidar técnico habilitado do setor para através dos métodos relacionados às questões pertinentes a discussão elaborar relatório sobre o valor cultural que se pode conferir ou não a obra.
Aí, sim, tirado do âmbito das mediocridades, das insignificâncias, dos conflitos de ordem política, tomar a decisão acerca do que deverá ser feito com o simbólico monumento.
Importante, ressaltar, que não houve na história do Estado de São Paulo, estátua mais criticada que a feita em homenagem ao Borba Gato, que está há anos na cidade de São Paulo quase no final da Avenida Santo Amaro.
É como a do Bernardão, instalada aqui perto, na cidade de Fronteira, e do mesmo autor, Ademar Guerra, ambas tidas como ícones do mau gosto, da cafonice, da breguice, por muitos.
No entanto, estão lá, resistindo ao falatório dos simplistas, dos ignaros da questão que se arvoram de profundos conhecedores de tudo que foge de suas parcas possibilidades de leitura do universo.
Enfim, e para concluir, necessário salientar que, se passado pelo crivo de ordem técnica e concluído que se trata de abstração sem valor algum, a estátua, ou monumento, ou obra de arte, não deve de forma alguma ocupar espaço público algum.
Deve sim, tomar o destino do ferro velho. Caso contrário, respeitando o currículo internacional de Antonio Massini, o renome na Europa, onde a maioria da população concluiu seus estudos e o sistema educacional, é considerado de ponta, ao contrário do nosso que é falido, deve continuar ocupando o espaço que lhe foi destinado. Se bem que, pensando bem, estando no Recinto, fariam as figuras sem cabeça, companhia a mula sem cabeça, que em lendo a lenda pode se concluir que pensa muito mais que muitos, que utilizam a cabeça como acessório para o uso de chapéu ou enfeite de pescoço.
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Última atualização em Dom, 25 de Julho de 2010 22:51 |
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