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Mulheres assimilam vida profissional com trabalho no lar |
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Seg, 12 de Março de 2007 21:08 |
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Mesmo sem uma manifestação específica pela passagem do dia oito de março na quinta-feira desta semana, as mulheres olimpienses entrevistadas pela reportagem desta Folha, embora demonstrem o poder de assimilação entre a vida profissional e o dia-a-dia do lar, ainda esperam por mais conquistas na competição acirrada a que, em alguns casos, são expostas.
Para a professora Rosimeire Aparecida de Souza Sanchez, 34 anos, por exemplo, as mulheres já conquistaram espaço na sociedade, porque muitas não trabalhavam, porque tinham que cuidar da casa, dos filhos: "Hoje já mudou um pouco e já saem para o trabalho". Porém, mesmo com a possibilidade de sair para o trabalho, há casos, como aponta a advogada Priscila Carina Vitorasso, 29 anos, que há ainda muito a ser conseguido: "Queremos ser tratadas com respeito e dignidade e muitas vezes sinto que isso falta, principalmente na minha profissão". A necessidade de continuar lutando por novas conquistas é ressaltada pela médica Nely Spegiorin Rimoli, 47 anos: "é porque se acomodou e parou de ter perspectiva de vida, de almejar progresso e de querer melhorar a situação". Dividir o dia-a-dia entre a vida profissional e a familiar é fundamental para as mulheres usufruírem das liberdades obtidas. Porém, é neste ponto que surgem as maiores dificuldades e uma das principais necessidades: conseguir que os companheiros dividam as obrigações do lar e ajudem nos trabalhos domésticos. E a falta dessa coordenação entre mulheres e homens, ou seja, entre companheiras e companheiros, surge fortemente na avaliação da advogada Carmen Silvia Costa Ramos Tannuri, que acredita que a liberdade e direito de escolha são fundamentais para a auto-estima das mulheres. Conseqüentemente, vejo a mulher de nossos dias como heroína das histórias em quadrinho, a "Mulher Maravilha" (sic), um pouco cansada, porém digna, altiva, consciente que é uma peça importante e insubstituível na sociedade, mas que necessita continuar guerreando para cada vez mais fazer prevalecer seus direitos".
Médica quer mais igualdade de direitos e deveres
O comodismo é a palavra a ser fundamentalmente evitada pelo mundo feminino. Pelo menos é isto que pode ser depreendido das palavras da médica Nely Spegiorin Rimoli, 47 anos: "Quem disser que está satisfeita com essa situação é porque se acomodou e aí parou de ter perspectiva de vida, parou de almejar progresso e de querer melhorar a situação". No entanto, não deixou de ressaltar que, no caso das mulheres, entende que já houve muitas mudanças e conquistas: "mas nós ainda estamos muito longe de oferecer um papel efetivo". Nely cita que as mulheres, dentre as conquistas que obtiveram na luta pela igualdade, já conseguiram a liberdade do voto e espaços nas mais variadas atividades profissionais. "Mas ainda existem países, além do nosso, onde as mulheres sofrem repressão. Então, acho que temos muito que melhorar, não só com relação a liberdade, mas como progredir como pessoas, como humanidade", apontou. E quando fala em melhorar como humanidade, alerta que tem que caminhar sempre buscando uma melhora que no caso das mulheres é melhorar profissionalmente, pessoalmente e espiritualmente. Enfim, progredir de maneira geral. "Acho que é uma associação de coisas. A mulher tem que ter papel social, tem que ter papel familiar e tem que ter papel profissional, assim como os homens. Acredito na igualdade, mas na igualdade de direitos e de deveres", enfatizou. Ao avaliar a atual situação das mulheres, Nely diz que progrediu em alguns pontos, mas que ao mesmo tempo houve uma inversão de valores e que houve uma valorização material muito grande. "Se dá muita importância às partes material e física e se deixou de lado, em alguns momentos, a parte espiritual, a parte de conhecimento. Acho que o crescimento de todas as pessoas se dá de uma forma geral. E não só nas partes material e física, mas também nas partes espiritual e de conhecimento", explicou. Um dos pontos que entende que deve ser melhorado na equiparação dos direitos e deveres, está justamente a divisão de tarefas domésticas entre o homem e a mulher. Para a médica, se por um lado atualmente as mulheres já têm mais acesso à formação, principalmente profissional, por outro continuam tendo a sua função doméstica que nem sempre é dividida com os companheiros. "Nas classes com poder aquisitivo melhor as mulheres ainda conseguem exercer suas atividades profissionais tendo alguém como suporte. Mas nas classes de poder aquisitivo menor tem que trabalhar fora de casa e em casa. Isto é uma situação que pode melhorar", acrescentou. Por outro lado, não deixa de destacar a importância maternal da mulher e que isto também tem importância fundamental: "O papel da mulher é fundamental, assim como de qualquer pessoa, principalmente porque a mulher tem a maternidade, ela consegue gerar os filhos". E esta e uma das preocupações que tem: "A gente vê hoje crescer muito o número de mulheres que sustentam a casa, que são arrimos de família. Essas mulheres têm seus filhos e trabalham fora, sustentam a casa e ainda têm que cuidar da educação dos filhos, da manutenção da família. O papel da mulher realmente é muito importante". Mulher guerreira é locomotiva do novo mundo Ao avaliar o momento atual das mulheres, a advogada Carmen Silvia Costa Ramos Tannuri não deixa por menos e afirma taxativamente que é locomotiva que move o novo mundo. "A mulher é uma guerreira malabarista, pois enfrenta tal variedade de tarefas e decisões que mais parece estar equilibrando um mundo pesado sobre a sua saia", definiu. Para ela não há dúvida que a mulher deve ser considerada o motor e mesmo a locomotiva desse novo mundo: "mãe, dona de casa, amiga, parceira, colega de trabalho, conselheira, sócia, amante e muitas outras coisas mais", reforçou. Carmem usa o lado da literatura de ficção para mostrar o poder e a força da mulher nos dias atuais, comparando a heroína das histórias em quadrinhos, a "Mulher Maravilha" (sic). "Um pouco cansada, porém, digna, altiva, consciente de que é uma peça importante e insubstituível na sociedade, mas que necessita continuar guerreando para cada vez mais fazer prevalecer seus direitos", comentou. Considerando as restrições próprias de cada classe social, a advogada acredita que a liberdade e o direito de escolha são bens preciosos e indispensáveis à formação de auto-estima, o que considera o sustentáculo de uma vida plena. "Tenho certeza que a mulher atual que usa a liberdade conquistada como meio para conseguir sua independência financeira, o direito de propiciar ou não, escolher um companheiro, casar ou separar sem nenhum medo dos obstáculos que pode encontrar no caminho escolhido, está realizada", avaliou. Por outro lado, ressalta que considera que as insatisfeitas são as que confundem independência com promiscuidade, libertinagem e desamor. "Nas últimas décadas quebramos todos os paradigmas, saltamos as barreiras, dinamitamos o preconceito e provamos que podemos tudo, logo não tenho dúvidas em afirmar: Quem conseguiu tudo isso e não perdeu a delicadeza, a feminilidade, o "ser mulher" presente em cada uma de nós, só pode estar satisfeita com o papel que representa na sociedade de hoje", finalizou. Advogada cobra mais respeito na profissão O grau de contentamento com os resultados obtidos no dia-a-dia profissional varia de acordo com o trabalho exercido pela mulher. Se de maneira geral a advogada Priscila Carina Vitorasso, 29 anos (foto), reconhece avanços e conquistas das mulheres, quando fala da sua própria atividade cobra mais respeito e dignidade. Priscila diz que as mulheres conquistaram bons espaços, principalmente quando se fala em profissão, política e até mesmo no setor empresarial. No entanto, acha que ainda faltam muitas conquistas para chegar ao ponto ideal. "Na verdade o que nós queremos é sermos tratadas com respeito e com dignidade e muitas vezes sinto que isso falta, principalmente na minha profissão, advogada, muitas vezes não temos a credibilidade que é dada a um homem", reclamou. Porém, acredita que com o tempo as advogadas conseguirão comprovar a competência que têm, obtendo mais sucesso profissional, se equiparando aos homens: "Nós vamos conquistar", enfatizou. Parabenizando as mulheres pela data, Priscila reforça sua crença em dias melhores para as mulheres que atuam como operadoras do direito. "Creio que pode melhorar! Pode melhorar desde de que não confunda essa liberdade, essa conquista de liberdade e conseguir ser respeitada, ter dignidade. Mas nós vamos conseguir", finalizou. Mercado de trabalho é uma das conquistas das mulheres As oportunidades oferecidas pelo mercado de trabalho são uma das conquistas das mulheres na avaliação da professora Rosimeire Aparecida de Souza Sanchez, 34 anos, que atualmente atua como coordenadora pedagógica. A possibilidade representa, além da aceitação na sociedade, também a oportunidade de ajudar na manutenção do lar, dividindo as obrigações financeiras com o esposo. "As mulheres já conquistaram um espaço na sociedade, porque muitas não trabalhavam porque tinham que cuidar da casa, dos filhos. E hoje já mudou um pouco. Hoje as mulheres já saem para o trabalho, já conquistaram um espaço. Acho isso muito importante", destacou. Rosimeire vê no fato a igualdade de direitos: "São iguais. Tantos as mulheres quantos os homens têm que fazer a sua parte para colaborar com a família, então acho que muita coisa foi conquistada sim. As mulheres trabalham e colaboram também, têm ajudantes em casa que auxilia também". Embora destaque ter seus dias bastante cansativos, a professora cita seu dia-a-dia como exemplo. Mesmo assim não deixa para trás a satisfação e a realização profissional que alcança em sua atividade. "A gente trabalha bastante. Trabalha fora e às vezes tem que auxiliar no trabalho de casa e isso é um pouco cansativo. Mas eu estou satisfeita. Adoro o meu trabalho, adoro dar aulas e agora estou na coordenação e me sinto muito bem", definiu. No entanto, o sucesso profissional da mulher e o perfeito entrosamento familiar, mesmo dispensando grande parte do dia fora de casa. Para a professora é muito importante gostar da atividade profissional. "A mulher tem que gostar do que faz. Acho que isso é muito importante. Em toda profissão tem que estar satisfeita com o trabalho e fazer com amor e carinho, porque para dar aulas tem que ter vocação mesmo. Tem que gostar muito", ensinou. O preconceito é coisa inexistente em sua atividade profissional: "A maioria das pessoas tem a cabeça bem aberta. Na nossa profissão não há. Aqui é tanto homem quanto mulher.
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Última atualização em Seg, 12 de Março de 2007 21:42 |
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