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População de obesos pode chegar a quase 10 mil |
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Qui, 14 de Setembro de 2006 18:41 |
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OBESIDADE! Comemore o domingo pensando em perder uns quilinhos 
"a pressão da indústria de alimentos é muito grande. Uma briga de Davi contra Golias", afirma Fábio Martinez
Da redação Embora não possa ser considerado propriamente um dia em que se possa fazer comemorações, de acordo com a Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro, neste domingo, dia 10 setembro, será comemorado o "Dia do Gordo". Na avaliação do médico Fábio Martinez, especializado em cirurgias do aparelho digestivo, Olímpia tem quase 10 mil pessoas obesas.
De acordo com o médico, no município a parcela da população que já estaria sofrendo com o mal da obesidade chegaria a 20%. Levando-se em consideração que, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o município tem em torno de 48 mil habitantes, chega-se ao resultado de aproximadamente 9,6 mil pessoas. "Um parâmetro é complicado porque depende muito de região para região, mas somando os obesos e os excessos de pesos e os obesos mórbidos, está chegando em torno de uns 20%", comentou Fábio Martinez. No entanto, esse número pode ser ainda maior. Para tanto, basta levar em consideração a população estimada por pessoas mais otimistas de que o município já teria o total de aproximadamente 60 mil moradores. Neste caso, a quantidade de pessoas obesas subiria para em torno de 12 mil habitantes. Na opinião do nutrólogo Selim Jamil Murad, especialista em obesidade, embora tenha preferido não arriscar um percentual para a cidade de Olímpia, garante que a situação da obesidade, que já é considerada uma doença, já é de uma pandemia. "Sem dúvidas nenhuma já é uma pandemia", enfatizou. Entretanto, Selim Murad faz um alerta para que cuidados com a doença seja adotados por todos. Ele estima que dentro de no máximo cinco anos a situação no Brasil tende a se a igualar o que se verifica atualmente nos Estados Unidos da América do Norte, onde o problema já atinge entre 65% e 70% da população. Atualmente, no Brasil, informa que o problema atinge em torno de 45% da população. O cirurgião Fábio Martinez concorda com a situação de pandemia e estima que em menos de 20 anos o Brasil estará classificado em terceiro lugar em número de casos, isto se uma atitude imediata não foi adotada. "O problema não é a obesidade em si, mas as doenças associadas a ela, como hipertensão, diabetes, tumores associados à obesidade, problemas articulares, tudo isso. A obesidade já é uma pandemia, e vai ficar pior. Isso tudo relacionado ao modo de vida atual nosso, do mundo ocidental", alerta. Combate Mas já há trabalhos, tanto nos Estados Unidos, quando no Brasil, com a finalidade de enfrentar a obesidade. "Existe trabalhos da Associação Brasileira de Nutreorologia, que é um trabalho muito forte junto às faculdades e às universidades, principalmente, nos estudos de novos medicamentos", conta Selim Murad. Já o cirurgião Fábio Martinez cita como exemplo medidas adotadas recentemente no Brasil: "É a lei que obriga a falar a quantidade de gordura trans, um dos exemplos de que há preocupação. Estão sendo feitas leis para reduzir a gordura em geral". Contou ainda o cirurgião que com a finalidade de esclarecer melhor o paciente, estão sendo feitas políticas de saúde pública visando o controle da obesidade: "Só que a pressão da indústria de alimentos é muito grande. Uma briga de Davi contra Golias", definiu. Obesidade significa limitações e exclusões sociaisO cirurgião especializado em aparelho digestivo, Fábio Martinez, caminha pelo lado emocional para explicar o que significa ser gordo, ou como ele prefere, ser obeso. "É ter limitações socais e emocionais. Limitações do ponto de vista de saúde, porque é o doente que vive nos consultórios médicos", explicou. De forma diferente e tecnicamente falando, o nutrólogo Selim Jamil Murad diz que obesidade é o excesso de peso às custas do tecido adiposo – gordura – o que não inviabiliza a possibilidade de alguém ter apenas massa corporal e até ser confundido como obeso. "Se você estiver com um peso que sua massa corporal dê 27%, só que você está com este peso às custas de tecido muscular – massa magra – não tem problema nenhum. Você está vivendo bem", explicou. Para saber se uma pessoa é gorda ou obesa, é preciso usar o IMC (Índice de Massa Corporal. A este parâmetro se chega dividindo o peso pela altura ao quadrado que resultará um número absoluto de quilos por metros cúbicos. O considerado ideal é a pessoa ter índice entre 20 e 25. Caso o resultado indique índice entre 25 e 30 já indica que a pessoa, embora ainda não considerada obesa, já está com sobrepeso de obesidade grau 1. Entre 30 e 40 já é considerada obesidade de grau 2 e acima de 40 obesidade mórbida. Outra maneira de conferir se uma pessoa é ou não obesa é o parâmetro que pode ser encontrado através do bio-epedância. Outro índice pode ser obtido na relação cintura-quadril. Há ainda a relação de massa corporal através do PO Médice Índice. Há vários males que acometem as pessoas, gerados pela obesidade seja de que grau for. Mas os mais comuns são: hipertensão; diabetes; problemas articulares; problemas venosos (varizes); problemas circulatórios; problemas relacionados ao sono, como a ipnéia do sono, que a pessoa pára de respirar à noite devido ao excesso de obesidade. Há ainda a incontinência urinária, doença do refluxo, asma e dispnéia. "Alguns tipos de tumores estão relacionados à obesidade e também às doenças que a gente (médicos) acaba não considerando como doenças, que são as emocionais: depressão e psicoses múltiplas", acrescentou Fábio Martinez. Da mesma forma que o cirurgião, Selim Murad afirma que a pessoa gorda ou obesa tem maior probabilidade de morrer mais cedo: "Conversando com alguns pacientes perguntei se conheciam algum gordo acima de 75 anos. São poucos, porque acabam morrendo mais cedo em função de uma série de doenças associadas à obesidade", reforçou. Fábio Martinez diz ainda que essa tendência já está comprovada cientificamente: "principalmente aqueles com IMC (Índice de Massa Corporal) acima de 40, esse chamado de obesidade mórbida, que pode morrer a qualquer momento de uma crise hipertensiva, derrame ou alguma coisa assim". Emagrecer exige programa alimentar adequadoUma pessoa não é obesa apenas pelo que ela se alimenta e pela quantidade de calorias que consome no dia-a-dia ou mesmo com a prática de exercícios. Na realidade há fatores genéticos e fisiológicos que interferem diretamente para a pessoa ganhar peso ou não. "Uma pessoa magra se comer alguma coisa provavelmente acumula menos gordura que uma pessoa gorda", sinaliza Fábio Martinez. Por isso é concreta a orientação que passa o especialista em obesidade Selim Jamil Murad: "Você tem que partir de um programa alimentar e não é a dieta do médico X ou Y ou Z. Tem que ter um programa alimentar específico que inclua não só a alimentação, mas uma mudança de hábitos de vida". Murad reforça que para ter uma vida saudável a pessoa tem que ser acompanhada por bons professores de educação física para orientar os trabalhos com o corpo e de um médico para acompanhar aquilo que deve ou não comer: "E de que maneira deve agir para mudar totalmente sua vida?" Uma pessoa magra tem muitas diferenças em relação a uma pessoa gorda. Uma delas é o próprio metabolismo basal, o que garante que a pessoa magra perca peso dormindo. Mas o médico Fábio Martinez garante que a melhor maneira para perder peso é realmente a mudança de hábitos de vida. "Uma alimentação regrada, saudável, sem essas dietas malucas de só proteínas, só isso e só aquilo; uma dieta balanceada e equilibrada, associada a atividades físicas constantes". No entanto, Jamil Murad ressalta que o ideal é a pessoa perder peso comendo normalmente. "Tem que se alimentar e comer de tudo, só que balanceado para que você possa perder peso. É uma equação linear: tudo aquilo que eu comi e tudo aquilo que eu gastei (energia), vou ter que chegar num resultado final. Se como mais do que gasto, evidentemente que estou engordando". Cirurgias são recomendas para casos de obesidade mórbidaAs cirurgias são os procedimentos mais recomendados para casos de obesidade mórbida, ou seja, àquelas pessoas que tem risco de morte mais iminente por causa do excesso de peso. Atualmente há várias formas de usar a estratégia como forma de combater o mal que aflige os gordos. O cirurgião especializado em aparelho digestivo, Fábio Martinez, ressalta que são indicadas para pessoas que têm Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 35, sempre com pelo menos duas doenças associadas. Outra forma de tratar a obesidade, segundo Martinez, são os tratamentos endoscópicos através de balão, que consiste na colocação de um balão dentro do estômago: "um balão que restringe o tanto que a pessoa come". Mas as cirurgias de obesidade, que são várias, principalmente indicadas para pacientes que têm o IMC acima de 35, com duas doenças associadas, ou acima de 40 mesmo não tendo doença nenhuma, é considerada uma das melhores maneiras. "A cirurgia de estômago é muito válida. Para pessoas que estão acima ou que estão com obesidade mórbida, não tem jeito, não consegue emagrecer", comenta o nutrólogo Selim Jamil Murad, que é especializado em obesidade. Ele enfatiza que recomendaria a cirurgia a um paciente seu: "Sem dúvida, quando existe a necessidade e quando a pessoa não consegue emagrecer de maneira nenhuma; está com índice de massa corporal excessivamente elevada, acima de 35 ou de 40, e com índice gorduroso muito elevado, normalmente ele vai estar com hipertensão, já vai estar com problemas de diabetes, e com toda uma série de doenças, sem dúvida nenhuma. Se ela não consegue emagrecer a cirurgia é uma grande saída". Porém, as cirurgias ainda são consideradas por Fábio Martinez como um campo novo, ou seja, são cerca de 15 a 20 anos apenas de desenvolvimento da técnica. "Mas a cirurgia feita como manda a sociedade de medicina é segura hoje em dia. Tem menos de 1% de mortalidade na cirurgia", comenta. O problema é que a cirurgia não pode ser encarada como um milagre: "A cirurgia é uma arma para o obeso usar contra a obesidade". Porém, mesmo a pessoa operada se ela não seguir as orientações médicas, pode não perder peso mesmo tendo o estômago cortado ou operado. "Existem vários tipos de cirurgias: as restritivas, a gente só restringe o tanto de alimento que entra; as que são disabisortivas, que o indivíduo come mas não consegue absorver. Mas as mais usadas hoje são as cirurgias mistas, aonde o indivíduo tem um componente restritivo e um componente disabsortivo", explica. Para cada tipo de paciente tem a cirurgia ideal: "A mais usada hoje em dia é a cirurgia de fobe e capela, que é uma cirurgia que você reduz o estômago e causa a restrição e faz um desvio no intestino causando uma má absorção". O cirurgião ressalta que há inda outras modalidades de cirurgia: "A banda gástrica, que é aquela do anel, que para alguns tipos de pacientes é muito boa e existem outros cinco ou seis tipos de cirurgias aceitas pela Sociedade Brasileira de Medicina, mas para cada tipo de doente existe uma cirurgia ideal". |
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Última atualização em Qui, 14 de Setembro de 2006 18:46 |
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