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SAINDO, ... ... do princípio sem chegar ao fim, pois este estado de coisas apresenta um ciclo que pode ser entendido como ciclos fechados, como a vida que termina com a morte, como o dia que termina com a noite, como a sombra que é iluminada pela luz e, ai por diante.
DIANTE ... ... deste contexto, este colunista entende que os nossos Festivais do Folclore estejam chegando ao final do seu ciclo, pelo menos nos moldes estabelecidos pelo professor Sant’anna, vitais para a sua própria sobrevivência.
O GRANDE, ... ... Zé, o Sant’anna, entendia que o que mantinha a festa latente em todo o Brasil, não eram os espetáculos luxuosos, os desfiles colocando as meninas com as pernas de fora representando os Estados, os concursos de rainha que eram exigências de terceiros e que ele tinha ojeriza e aos mais íntimos, como este colunista, que conviveu diretamente com o mestre durante várias décadas, xingava todo mundo, principalmente de morfético, ou morfética. Até nisso era um cavalheiro, pois mesmo que na gíria possa significar coisas ruins, morfético, na acepção da palavra, quer dizer “referente a Morfeu (na mitologia grega, deus dos sonhos, filho da noite e do sono) ou relativo ou pertencente a sono.
ERA, ... ... pessoa frágil, que vivia escutando velhinhos, registrando contos, visitando os representantes de folguedos para incentivar sua sobrevivência e para estudar o que representavam, quais eram suas raízes.
SANT’ANNA … ... não cansava de explicar até para seus seguidores mais diretos que o objetivo da festa era a preservação dos folguedos, dos que não gostava que chamasse assim, mas que é maneira mais fácil de o leitor entender, dos grupos autênticos, compostos geralmente de pessoas humildes, fantasias simples, mas coloridas e belas nos seus significados.
NA VERDADE, ... ... falando o português claro, aqueles negrões (“brancões” também) suados vestidos de capim, ou roupa simples, pulando, dançando, tocando instrumentos feitos de corda, couro e outros materiais artesanais.
A FESTA .... ... tinha que ser aberta ao público que quisesse vir apreciar e procurar entender e estudar os folguedos, os porquês daquelas roupas, daqueles instrumentos, daquelas músicas, daqueles instrumentos rústicos, daquela história, contada de pai pra filho.
DAÍ, SER, … … avesso totalmente a qualquer tipo de organização, de glamour, até de fiscalização na entrada. Nada podia impedir ou inibir seus folguedos. O palco era deles, pra eles e só pra eles. Não visava lucro. Não visava público.
ERA FESTA ... ... cultural, endereçada a quem quisesse estudar as nossas raízes, sem shows de artistas famosos, sem muitos grupos parafolclóricos, pois estes, estilizando os próprios folguedos, utilizavam o luxo, o moderno para tentar mostrar o antigo e isso para ele era ostentação que inibia os folguedos, “os grupos autênticos”.
MORREU, ... ... incompreendido. Morreu com o coração chorando, pois seus principais colaboradores também não haviam entendido tudo isso. Achavam isto, achavam aquilo e não percebiam que o “achismo”, como sempre acontece, não tem o embasamento da razão. E a explicação é uma só. Enquanto Sant’anna vivia e o objetivo da festa era a preservação dos grupos autênticos, vinham estudantes de todos os níveis de ensino e de todos os cantos do Brasil.
VINHAM ... ... também estudantes universitários e pesquisadores do Brasil e de outras partes do mundo.
A PARTIR ... ... da assunção do marechal Carneiro ao poder e a sua teimosia (de suas cabeças pensantes) em querer estilizar o folclore, acabou por promover a transformação que iniciou o ciclo do afastamento do objetivo do professor e da própria mudança de público que aos poucos foi deixando de ser composto em sua maioria por estudantes e estudiosos, e passando, sendo substituído por jovens e adultos que procuram o espetáculo.
E AÍ É QUE ... ... Sant’anna não se cansava de repisar. O público de shows e festa de peão não quer saber de negrões suados vestidos com saias de palha, protegendo sua bugrinha. Querem pernas e bundas bonitas de fora. Querem música moderna, danças modernas e bonitas e não o povão que representa o nosso passado pobre e sofrido.
QUERER ... … modernizar o folclore é querer esquecer quem somos nós. De onde viemos e porque somos o povo analfabeto que não sabe ler e interpretar um texto e nem tem conhecimento suficiente para entender uma obra como a do italiano Antônio Masini que veio da Itália para a cidade para elaborar uma obra que marcasse o centenário de Olímpia. É só jogá-la no lixo, pois é o que somos.
ATUALMENTE ... ... o que parece estar acontecendo é a sequência piorada do governo Carneiro. Pois os “pensadores” de El Gênio, ao que parece, não estão querendo nem estilizar o folclore, mas estão querendo é transformá-lo em uma segunda Festa do Peão, com festa de lançamento, rainha, etc; só falta virem com camarote da Brhama, shows de musica caipira, etc. Será que as rainhas vão querer ser rainhas dos pobres? Rainha dos folguedos? Rainha dos negrões suados?
COITADO ... ... do Zé, que já terminou sua vida e, ao que parece, está para ver terminada a sua obra de modo triste e imbecilizado.
José Sal Amargo, terminando, sem terminar, pois é preciso ler, reler e “treler”, como dizia o filósofo Dellapittus, pois esta é a única forma de absorver um pouquinho de alimento cultural que possa fazer com que esse pessoal saia da cegueira do mestre Saramago e tenha um pouco de lucidez para entender que para enxergar as coisas de forma mais realista é preciso ter conhecimento da própria realidade, da realidade histórica e agir mais com a razão, pois quando agimos com a emoção, sem pensar, nos aproximamos dos animais que não têm a capacidade de pensar, agimos pelo instinto.
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